Em Pauta

A febre de testosterona (bomba das academias), o hormônio que tem ideologia

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 22/10/2026 07:00
A febre de testosterona (bomba das academias), o hormônio que tem ideologia

Nenhum hormônio é de direita ou esquerda. A testosterona - a conhecida bomba das academias - é exceção. Vem sendo empurrada pela machosfera que a tornaram a chave do êxito. Mais de um terço dos que a consomem não a necessitam.


Ereção matutina, o padrão ouro.

A ereção matutina virou o padrão ouro para calibrar a testosterona, conforme os fóruns da internet. Ser assinalado por essa turma como “low T”, baixa testosterona, virou um estigma que apela a vários medos masculinos: pulsão sexual débil, baixa energia, certa atitude pusilânime perante a vida e uma conta corrente precária.


O mundo dos machões mudou.

Até uma década os homens viviam de costas para seus hormônios, mas estão descobrindo que seu bem estar e reputação também depende de mensageiros químicos que sobem e baixam de modo errático, portanto precisam vigiar a taxa de testosterona para não ser vigiado pelo grupo a que pertencem.


Caí 1% por ano.

Até os trinta anos ou pouco mais, a concentração de testosterona no sangue masculino fica entre 500 a 700 ng/ dl. A partir dos trinta, começa uma queda lenta, mas inexorável. Não ocorre de um só golpe, vai gotejando, caindo suavemente em torno de 1% ao ano, até chegar ao nível dos idosos que é de 300 ng/dl. É natural, não há de temer.


Fabricada em 1.935. “Curava” o homossexualismo.

A testosterona foi isolada e reproduzida em laboratório em 1.935. Encontrou um mercado desejoso de “corrigir os déficits de masculinidade”. Era preciso evitar características femininas no homens. Foi a primeira vez que usaram uma droga para “curar” os homossexuais. Os velhinhos entraram em êxtase: prometiam que tomando testosterona voltariam à antiga energia sexual. Era, no entanto , tudo balela, conversa para enganar trouxa.


Podia causar câncer de próstata.

A febre da testosterona durou até 1.941. Foi nesse ano que alguns estudos - mal feitos - indicaram que o uso desse hormônio pelos homens poderia causar câncer. O impacto foi tão forte que durou até 2010. Surgiram outros tantos estudos demostrando que há riscos em seu uso, mas nada tem a ver com câncer. Seus piores efeitos estão vinculados ao vicio, à queda da fertilidade - espermatozoides quase nulos -, a problemas hepáticos, renais, queda de cabelos e, especialmente, a riscos cardiovasculares. Também pode ocorrer agressividade extrema e irritabilidade. Muitas vezes leva à depressão e ansiedade.

 

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