Interior

“Três crianças vão crescer sem pai”, diz irmão de rapaz morto em comício

Ewerton esperava a primeira menina, que nascerá em quatro meses; companheira grávida presenciou o crime

Por Gustavo Bonotto | 25/10/2026 19:31
“Três crianças vão crescer sem pai”, diz irmão de rapaz morto em comício
Ewerton ao lado do filho, em registro compartilhado por familiares. (Foto: Arquivo pessoal)

"Perdemos Ewerton e agora três crianças vão crescer sem o seu pai. Uma delas, ainda na barriga da mãe, nem se quer vai poder conhecê-lo". O desabafo é do empresário Giovane Rodrigues, irmão de Ewerton Rodrigues da Silva, de 35 anos, morto a tiros na noite de sábado (24), durante confusão após comício eleitoral em Bonito, município situado a 297 quilômetros de Campo Grande. Neste domingo (25), ele falou ao Campo Grande News sobre a perda, os planos interrompidos e o sofrimento da família, que ainda tenta compreender o que aconteceu.

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Ewerton deixou dois meninos, Pedro, de 11 anos, e Heitor, de 9. A terceira filha, Dominic, ainda é gerada por Luana Rodrigues, companheira da vítima. O casal estava junto havia nove anos e preparava a chegada da menina.

"E ele sempre sonhou em ser pai de uma menina. Esse ano tivemos essa grande notícia e felicidade, que ela estaria chegando. Ele estava muito feliz, quartinho da bebê preparado, todos muito animados", contou Giovane.

O mais velho de cinco irmãos, Ewerton passou parte da infância em Bonito. A família, que é de São Paulo (SP), morou por pouco tempo no município antes de retornar ao estado paulista. Anos depois, ele decidiu voltar para a cidade, onde formou sua própria família.

"Ele sempre foi aquela pessoa que chamava atenção onde chegava, mas de forma positiva, pelo seu carisma, simpatia, gentileza e educação. Sempre atencioso. Todo que conheciam vão dizer o mesmo", lembrou.

Ewerton e Luana anunciaram gravidez recentemente nas redes sociais. (Foto: Arquivo pessoal)

Sobre a noite do crime, Giovane afirma que o irmão não participou da carreata de apoiadores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), realizada na região central do município. Segundo ele, Ewerton e Luana encontraram amigos em um posto de combustíveis quando a manifestação já havia terminado. O desentendimento entre outras pessoas teria começado antes, na Praça da Liberdade.

A versão apresentada pelo familiar é de que a discussão continuou nas proximidades do estabelecimento e terminou em agressões físicas. "Nesse momento quando a briga se intensificou é que Ewerton se envolveu, tentando intervir pra separar, junto com outras pessoas. O Ewerton só queria ajudar", relatou.

Ainda conforme Giovane, um adolescente de 16 anos, filho de um dos envolvidos na discussão, buscou uma arma em um veículo e efetuou os disparos. O irmão afirma que o jovem tentou voltar ao carro para pegar mais munição e deixou o local acompanhado de familiares. Essas circunstâncias ainda dependem de esclarecimento pelas autoridades.

Ewerton foi atingido por três tiros. Dois acertaram o abdômen e outro atingiu a região próxima à virilha. Ele foi levado ao Hospital Darcy João Bigaton, onde recebeu atendimento, mas não resistiu. 

Outra pessoa também foi baleada e precisou ser transferida para Campo Grande. "Ainda não temos notícias concretas sobre a evolução do quadro clínico do outro rapaz atingido e do que motivou a briga inicialmente. Mas o que sabemos é que o Ewerton não tinha nenhuma relação, só tentou ajudar", afirmou Giovane.

A companheira da vítima estava no local quando os disparos ocorreram. Familiares que vivem em São Paulo viajaram para Bonito para participar da despedida. Segundo ele, os pais estão desolados com a perda do filho mais velho.

Nas redes sociais, Giovane também publicou um alerta sobre os riscos das armas. "Independente da sua convicção política mantenha-se longe de armas. Se mantenha longe de ambientes onde há pessoas armadas. Não deixe armas perto dos seus filhos. Armas causam tragédias!"

Em outra mensagem, falou sobre o sofrimento da mãe. "Do fundo do coração espero que nenhuma mãe tenha que passar pela dor que estou vendo minha mãe passar!"

O caso - A Polícia Civil pediu à Justiça a apreensão do adolescente apontado como responsável pelos disparos. Até a última atualização divulgada neste domingo, não havia confirmação de que ele tivesse sido localizado.

O TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) informou que o desentendimento teve motivação pessoal, sem relação com divergências político-partidárias.

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