Interior

Três brasileiros são detidos por suspeita de ligação em sequestro e mortes

Polícia paraguaia encontrou os dois adultos e um adolescente em Pedro Juan Caballero; eles seriam do PCC

Por Helio de Freitas, de Dourados | 20/10/2026 20:20


RESUMO

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Dois adultos foram presos e um adolescente de 17 anos foi apreendido na tarde desta terça-feira (20), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada de Ponta Porã por uma rua, durante uma operação para identificar os envolvidos no sequestro e assassinato de Marcelo Juan Ortiz Moura, de 26 anos. Os três são brasileiros.

O homem foi levado à força de casa por um grupo armado, na madrugada de segunda-feira (19), durante ataque que também terminou com a morte de sua companheira. O corpo dele foi encontrado na manhã de hoje, próximo à linha internacional.

A operação foi desencadeada por agentes do Departamento de Investigações da Polícia Nacional do Paraguai, por volta das 15h30, em uma residência na Fração Ciudad Nueva. Os investigadores monitoravam o imóvel com um drone e identificaram três pessoas no interior da propriedade.

Os presos foram identificados no relatório oficial como Diogo Silva Alexandre, de 20 anos, e Pedro Paulo Leite de Jesus, de 25 anos. O terceiro envolvido é um adolescente brasileiro de 17 anos, cuja identidade será preservada. Eles seriam soldados do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo a Polícia Nacional, Diogo tem uma ordem de prisão no Brasil por suspeita de associação criminosa e tráfico de drogas. Pedro possui antecedentes por furto e lesão corporal.

Durante a vigilância, os suspeitos perceberam a presença do drone e ouviram o ruído do equipamento. Dois deles escalaram o muro da residência e tentaram escapar por um terreno baldio. Os policiais iniciaram a perseguição e conseguiram alcançá-los aproximadamente 100 metros depois.

Na sequência, as equipes entraram no imóvel e apreenderam o adolescente, que permanecia na residência.

Durante a operação, foram recolhidos seis aparelhos celulares, sete cartões de crédito de instituições financeiras brasileiras, 15 chips da operadora Tigo, dois controles de drones, dois computadores portáteis e um caderno com diversas anotações.

Os equipamentos serão analisados pelos investigadores para identificar possíveis ligações dos suspeitos com o sequestro e os assassinatos. A polícia também procura estabelecer a participação de outras pessoas no ataque.

Três brasileiros são detidos por suspeita de ligação em sequestro e mortes
Policiais na casa ocupada por brasileiros; eles são suspeitos de ligação em duplo homicídio (Foto: Divulgação)

Estiveram com a vítima

O comissário César Diarte, do Departamento de Investigações, afirmou que os três brasileiros teriam se reunido com Marcelo Juan Ortiz Moura dias antes do sequestro e assassinato. A informação é uma das pistas investigadas para esclarecer a participação dos suspeitos no crime.

Segundo Diarte, os policiais encontraram a maioria dos aparelhos celulares destruída dentro da residência onde ocorreu a operação. Também foram apreendidos acessórios de armas longas. O imóvel era alugado e, conforme o comissário, os ocupantes tinham apenas colchões e utilizavam cadernos para registrar informações.

Os investigadores também identificaram vestígios da entrada de veículos na propriedade. A polícia apura se uma camioneta Toyota possivelmente utilizada no sequestro de Marcelo esteve no local antes de ser encontrada incendiada.

Durante entrevista à imprensa, Diarte revelou que uma testemunha sobrevivente conseguiu identificar dois homens que participaram da invasão da residência onde Marcelo foi sequestrado e sua companheira, Carolina Benites Arce, foi assassinada.

Mulher reconheceu criminoso

O comissário também apresentou uma hipótese para a execução da mulher. Segundo ele, um dos criminosos teria retirado a máscara ao receber uma ligação telefônica. Carolina aparentemente reagiu ao ver o rosto do homem, começou a discutir e acabou baleada. A suspeita é de que ela tenha reconhecido um dos autores.

Outra linha de investigação envolve uma possível disputa entre grupos criminosos. Diarte afirmou que recebeu um relatório da Polícia Civil brasileira apontando Marcelo como chefe de um grupo de pistoleiros que atuava na região de fronteira.

"Ele tinha um grupo de pistoleiros que atuava nesta parte do país. Depois de cometerem os crimes, ele próprio executava os integrantes do grupo", declarou o comissário.

Questionado sobre a possibilidade de o assassinato estar relacionado a um acerto de contas ou a uma disputa entre facções, Diarte afirmou que a polícia não descarta essas hipóteses. Ele evitou detalhar a participação individual dos detidos porque novas operações estão previstas para identificar outros envolvidos.

Corpo de Marcelo foi jogado em uma estrada de terra na área rural de Pedro Juan Caballero (Foto: Marciano Candia)

Histórico criminal

Identificado no Paraguai como Marcelo Juan Ortiz Moura, o homem também possuía documento brasileiro em nome de Marcelo Ruan Lázaro Ortiz.

Ele era procurado no Brasil por tráfico de drogas e tinha uma ordem de recaptura para cumprir sentença, expedida em 5 de março de 2023 pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande.

A Polícia Civil brasileira também investigava Marcelo por suspeita de comandar um grupo de pistoleiros responsável por uma sequência de assassinatos em Ponta Porã.

Entre os crimes atribuídos a ele estão os assassinatos de Bruno de Lima Almeida e Fagner Junior Companhini, ocorridos em 24 de junho deste ano. Marcelo era apontado como possível mandante das duas mortes.

Outro caso investigado era o de Lucas Osmar Limonge Bonadiman, que morreu em 10 de junho, oito dias depois de ser baleado em Ponta Porã. Conforme as informações policiais divulgadas pelo ABC Color, os responsáveis pelo ataque teriam agido a mando de Marcelo.

As suspeitas também envolviam crimes cometidos em janeiro deste ano. No dia 28, duas pessoas foram assassinadas em Ponta Porã, em um ataque cuja ordem teria partido dele. Na mesma data, Emerson Rodrigo Lemes foi morto a tiros enquanto operava uma retroescavadeira. Os investigadores também atribuíram a Marcelo a ordem desse assassinato.

A relação de crimes sob investigação incluía ainda a morte de Wellington Silveira Antunes Frias, assassinado em 12 de dezembro de 2025, e um ataque ocorrido em 16 de novembro do mesmo ano, quando Carlos Augusto Amorim Escobar e Ilton Ferreira Pereira foram mortos em Ponta Porã.

Outro episódio ocorreu em 25 de setembro de 2025, quando os paraguaios Rodrigo Ferreira, Virgilio Fretes Marecos e Aldo Gimenez Velázquez foram assassinados a tiros em um estabelecimento comercial da cidade brasileira. A polícia suspeitava que Marcelo também tivesse determinado a execução das três vítimas.

O histórico de violência também atingiu a família dele. Seu pai, Marcelino Ortiz Areco, foi assassinado em um ataque ocorrido em 2005. A Polícia Nacional do Paraguai ainda investiga se a execução de Marcelo e de Carolina está relacionada a disputas entre organizações criminosas que atuam na fronteira.

Conforme o médico legista Lucas Riveros, a morte de Marcelo ocorreu provavelmente na madrugada desta terça-feira, o que levanta a hipótese de que ele foi torturado por 24 horas e, após, o óbito, jogado na estrada de terra.

Riveros informou que o corpo não apresentava marcas de golpes de faca ou tiros e que a causa da morte foram os ferimentos na cabeça e no rosto. Marcelo também teve um dos olhos tapado com cola.

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