Interior

Servidores atribuem a "bebedeira" ameaça de envenenamento de indígenas, diz PF

Investigação aponta que os dois homens não tinham como materializar as ameaças

Por Fernanda Palheta e Helio de Freitas, de Dourados | 01/11/2026 15:13


Ouvidos pela PF (Polícia Federal) na última sexta-feira (30), os dois servidores municipais de Tacuru atribuíram à bebedeira as ameaças de envenenamento da água de comunidades indígenas da cidade, a 421 quilômetros de Campo Grande, após o resultado do segundo turno das eleições, que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato.

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De acordo com o diretor de Amazônia da PF, Humberto Freire de Barros, que fez parte da comitiva ministerial que visitou os territórios ameaçados neste sábado (31), os servidores confirmaram a autoria dos áudios, mas justificaram as falas pelo "aquecimento da questão política".

"Essas pessoas confirmaram a prática dos áudios, mas reafirmaram que foi questão de bebedeira e de uma questão ali de aquecimento da questão política, logo após o resultado da eleição, mas que não tinha intuito de materializar a ameaça, isso foi dito textualmente. Que foi uma palavra mal colocada, que foi uma besteira dita", disse.

A PF ainda aponta que os dois servidores sequer tinham como materializar as ameaças. Apesar de descartado o envenenamento das águas que chegam às aldeias, a PF garantiu que seguirá investigando o caso.

"Nós não ficamos a cargo do que eles disseram, nós estamos investigando e vamos concluir a investigação, mostrando todos os elementos que colhermos, mas o importante é que nós seguimos atentos", completou.

O diretor da PF ainda ressaltou o reforço da segurança na região. "Todas as unidades do interior do estado, nossas delegacias do interior do estado do Mato Grosso do Sul, a nossa superintendência, toda a rede de inteligência e também com as parcerias com outros órgãos de segurança pública, PRF, Força Nacional, com as Forças Estaduais, Polícia Militar, Polícia Civil, a Secretaria de Segurança, todos em articulação para que estejamos permanentemente em vigilância, permanentemente atentos e, assim que e toda vez que surgirem informações de possível violência, nós vamos investigar com todo o rigor", finalizou.

Ameaça – Em áudios trocados pelo WhatsApp após o resultado do segundo turno das eleições, dois homens reclamam da população indígena de Tacuru e um deles sugere envenenar a água consumida pelas comunidades.

“Já falei, tem que ‘ponhar’ veneno na água. Matar essas pragas na água”, diz um dos envolvidos. Na conversa, o outro afirma trabalhar diretamente com o secretário municipal de Infraestrutura, Wilmar Rodrigues, enquanto os dois reclamam de serviços prestados aos indígenas. A denúncia foi divulgada nas redes sociais da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

O Ministério dos Povos Indígenas encaminhou uma nota técnica à Polícia Federal pedindo a identificação dos servidores e a responsabilização criminal dos envolvidos.

O MPF (Ministério Público Federal) também entrou no caso e deu ao município de Tacuru 48 horas para prestar esclarecimentos. O órgão pediu informações sobre a autoria dos áudios e questionou quais medidas foram adotadas para garantir a segurança dos indígenas e a continuidade dos serviços prestados à comunidade.

Após a repercussão, o prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), anunciou que o servidor municipal seria afastado. A medida foi anunciada após cobranças dos órgãos federais e manifestações nas redes sociais. Em vídeo, o prefeito classificou a situação como um “assunto chato demais da conta” e afirmou que o homem era “um excelente servidor”.

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