Sem vínculos em MS, pistoleiros do Comando Vermelho agem com mais agressividade
Grupo aluga imóveis por poucos dias, usa mulheres e adolescentes para não chamar atenção e realiza execução

Sem vínculos com os municípios onde atuam, pistoleiros enviados de outros estados pelo Comando Vermelho apresentam comportamento mais agressivo durante a prática de crimes em Mato Grosso do Sul, segundo avaliação da Polícia Civil.
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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul avalia que pistoleiros enviados de outros estados pelo Comando Vermelho agem de forma mais agressiva por não terem vínculos locais. Segundo o delegado da Garras, Roberto Guimarães, eles cumprem missões como homicídios, enquanto mulheres e adolescentes providenciam imóveis e apoio. Em Nova Andradina, três suspeitos morreram em operação. Uma adolescente de 17 anos é apontada como articuladora da morte do pai, Gilson Santana dos Santos, em Batayporã.
A estratégia foi detalhada nesta sexta-feira (16), durante coletiva da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), após operação que terminou com três suspeitos mortos em Nova Andradina.
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Segundo o delegado titular da Garras, Roberto Guimarães, os criminosos são enviados para cumprir missões específicas, principalmente homicídios, enquanto mulheres e adolescentes que vivem nas cidades ficam responsáveis por providenciar imóveis e dar suporte à atuação do grupo. A polícia avalia que essa divisão dificulta a identificação dos executores, que permanecem pouco tempo em cada endereço antes de se mudar.
“Como eles são de fora, eles não têm nenhum laço, nenhum vínculo aqui no Estado e em nenhum dos municípios. Então, a gente percebe essa conduta mais agressiva”, afirmou Roberto.
Segundo o delegado, assim como fizeram em Sidrolândia e em outros municípios do interior, os suspeitos ocupavam imóveis alugados por curtos períodos e se mudavam após cometer os crimes.
“Eles recebem a missão e vêm para cá de ônibus, carro de aplicativo ou moto, até chegar ao destino. Conversam pela internet, pelas redes sociais e em grupos de WhatsApp da própria facção criminosa. A facção vai encaminhando pessoas para praticar esse tipo de execução”, explicou.
Na casa onde os três morreram em Nova Andradina, havia apenas um colchão e um fogão, sem geladeira ou outros móveis. Conforme a polícia, o grupo já tinha outra residência em vista para deixar o local.
Ainda conforme a investigação, a facção tem recrutado mulheres e adolescentes para organizar a estrutura de apoio nas cidades.
"Acredito que chame menos atenção mesmo, ser adolescente e mulher, não chama a atenção porque ela mora no ambiente, frequenta a cidade. Todo mundo sabe com quem ela anda. Em municípios pequenos, a gente sabe quem mora ali", disse Roberto.
Segundo a Garras, os dois homens que morreram no cumprimento de mandado em Nova Andradina tinham antecedentes criminais relacionados a homicídio e à atuação em organização criminosa. Um deles, segundo a polícia, havia sido preso em flagrante por participação em um tribunal do crime em Mato Grosso.
Ainda conforme a Polícia Civil, uma testemunha ouvida durante a operação confirmou que a filha de Gilson Santana dos Santos, de 17 anos, não apenas articulou a execução do próprio pai, em Batayporã, como também providenciou a casa onde o crime ocorreu.
A investigação aponta que a adolescente exercia posição de liderança no núcleo do Comando Vermelho na região. Os policiais também encontraram, na casa onde os três suspeitos foram localizados, uma motocicleta apontada como utilizada no homicídio de Gilson e armas que serão analisadas para verificar possível ligação com os crimes investigados.
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