Interior

Sem ônibus adaptado há 2 meses, universitário cadeirante teme reprovação

Alessandro estuda na UEMS e depende de transporte acessível para ir à faculdade

Por Maria Gabriela Arcanjo | 24/10/2025 16:44

Há dois meses sem conseguir frequentar a maioria das aulas na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), o estudante de psicologia Alessandro Lucas da Silva, de 20 anos, vive o medo constante de ser reprovado por faltas. Cadeirante desde o nascimento, por conta de uma má formação nos pés, ele denuncia a falta de transporte acessível em Coxim, que o impede de se deslocar até o campus.

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“Dependo quase totalmente do ônibus, mas ele não tem estrutura para me levar”, conta Alessandro. Ele já acumula mais de 37% de faltas, acima do limite de 25% previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

A situação não é nova. No ano passado, o jovem chegou a usar o transporte público comum, durante um mês, para não perder as aulas do curso técnico integrado em Alimentos, no IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul). Mas a tentativa terminou em dor: sem poder embarcar com a cadeira de rodas, ele era obrigado a subir e descer com dificuldade. “Pela posição dos meus pés, que são tortos, eu me esforçava muito. Acabei machucando e criando uma ferida”, relembra.

O ferimento nunca cicatrizou totalmente, e a falta de acessibilidade fez Alessandro desistir do curso técnico. Agora, no ensino superior, o problema se repete.

Sem ônibus adaptado há 2 meses, universitário cadeirante teme reprovação
Má formação em pés de Alexandre, que tem hidrocefalia e mielomeningocele (Foto: Reprodução/Direto das Ruas)

A mãe, Maria Rosa Gomes da Silva, de 46 anos, explica que a família não tem condições de garantir o transporte diário do filho. “Tenho só uma moto, e ele não pode ir nela. O carro do meu outro filho é de trabalho, então ele só consegue levá-lo em alguns dias”, relata.

Com isso, Alessandro só consegue assistir às aulas quando conta com a carona do irmão, o que o deixa afastado da maior parte das disciplinas.

Em resposta à reportagem, Prefeitura de Coxim, por meio da Secretaria Municipal de Educação, afirma que o ônibus acessível, equipado com elevador, encontra-se em manutenção. Ainda segundo a Secretaria, "a peça necessária para o reparo é importada e requer mão de obra especializada e capacitada".

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