Interior

Prejuízo com mega cozinha para fábrica de celulose provoca briga judicial

Ela afirma que investiu mais de R$ 1 milhão e cobra valores da PFM, de Maceió

Por Kamila Alcântara | 16/03/2026 09:12
Prejuízo com mega cozinha para fábrica de celulose provoca briga judicial
Cozinha no dia que a empresária foi pegar o prédio de volta, após decisão na Justiça (Foto: Reprodução)

A promessa de crescimento econômico com a construção da megafábrica de celulose em Inocência levou uma empresária a investir mais de R$ 1 milhão na montagem de uma cozinha industrial para atender trabalhadores envolvidos nas obras. Segundo ela, o negócio terminou em dívidas e disputa judicial após uma parceria comercial que, afirma, não foi cumprida como previsto.

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Em entrevista ao Campo Grande News, a proprietária da dona da empresa Dom Chef Cozinha Industrial, Sirlene Ferreira conta que decidiu se mudar para Inocência em 2023 após saber da instalação do Projeto Sucuriú, empreendimento ligado à produção de celulose que mobiliza milhares de trabalhadores na região.

Para atender a demanda, ela montou uma cozinha industrial de grande porte. Segundo relata, o investimento exigiu empréstimos bancários, ajuda de familiares e retirada de recursos da loja de materiais de construção que mantém.

A estrutura foi montada para atender empresas que atuavam na obra. Para operar o serviço de alimentação no canteiro, a Dom Chef firmou parceria com a PFM Refeições Ltda., empresa de Maceió (AL) responsável pela venda das refeições aos trabalhadores.

Pelo acordo, conforme relata a empresária, a estrutura montada pela Dom Chef seria utilizada na operação e a empresa receberia uma porcentagem sobre o faturamento obtido com a venda das refeições servidas no local.

Área de produção da cozinha com todos os utensílios necessários, que não estavam mais quando o prédio foi devolvido (Foto: Reprodução)

Segundo Sirlene, o serviço passou a funcionar normalmente e milhares de refeições eram fornecidas diariamente aos trabalhadores da obra. O problema, afirma, começou quando os repasses previstos no contrato deixaram de ocorrer integralmente. “Eu tinha uma empresa saudável. Fui tirando dinheiro dela para investir lá e isso desestruturou tudo”, disse.

A empresária relata que, enquanto o serviço continuava funcionando no canteiro de obras, ela passou a bancar despesas com recursos próprios, além de empréstimos e créditos bancários.

O resultado foi o acúmulo de dívidas com bancos, cartões de crédito e fornecedores. Ela afirma que ainda hoje paga parcelas mensais de empréstimos contraídos para montar a cozinha industrial.

Além da divergência sobre valores do contrato, o conflito entre as empresas também passou a envolver a devolução do imóvel onde funcionavam a cozinha e os equipamentos utilizados na operação.

De acordo com Sirlene, quando voltou ao local para receber a estrutura, encontrou parte dos equipamentos retirados e outros sem condições de funcionamento. “Cheguei lá e tinham levado muita coisa. Ficaram alguns equipamentos sem cabeamento e sem condições de testar”, afirmou.

Foto da esquerda é na inauguração e da esquerda na devolução do prédio para Sirlene; local veio com móveis danificados e problemas na estrutura (Foto: Reprodução)

Outro prejuízo relatado envolve um veículo utilitário comprado para transportar alimentos durante a operação. Segundo ela, o carro foi usado na atividade e depois devolvido com multas e danos. O caso acabou sendo resolvido por meio de acordo que considerou apenas o valor da tabela Fipe.

Na Justiça - Documentos anexados ao processo e enviados ao Campo Grande News mostram que houve um acordo firmado entre as partes no Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania), envolvendo a rescisão dos contratos, a entrega do imóvel e a definição sobre bens utilizados na operação.

Nos autos do processo, a PFM Refeições sustenta ter cumprido as obrigações previstas no acordo firmado entre as partes. Já a Arauco, responsável pelo Projeto Sucuriú, informou que não comenta processos envolvendo prestadoras de serviço.

“A Arauco não comenta processos envolvendo suas prestadoras de serviço e informa que todos os pagamentos a fornecedores e terceirizados são realizados rigorosamente em dia, conforme contratos vigentes, sem qualquer privilégio a quaisquer das partes em detrimento da outra”, afirmou a empresa em nota.

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