Interior

Prefeito pede perdão, mas não afasta servidores após áudios sobre indígenas

Um deles sugeriu envenenar a água consumida pela comunidade ao saber do resultado das eleições

Por Cassia Modena | 27/10/2026 09:51

Após a divulgação de áudios trocados entre dois homens no WhatsApp sugerindo envenenar a água consumida por indígenas de Tacuru, município no sul de Mato Grosso do Sul, o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou que eles são servidores nas pastas de Meio Ambiente e Infraestrutura.

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O chefe do Executivo admitiu ao Campo Grande News que "é uma vergonha", no entanto, disse que apenas "chamou a atenção" deles sobre o "erro" na segunda-feira (26). Rogério afirmou também que são bons servidores e justifica que estavam embriagados. 

"Os dois são servidores aqui e bons servidores, por sinal. Mas, num dia de eleição, eufóricos com o uso de álcool, tarde da noite acabaram fazendo esses áudios. E ninguém é favorável a isso. Isso é uma vergonha. Já conversei com os dois, já chamei a atenção deles. Isso aí não existe, não pode, nunca existiu e não pode existir de maneira alguma. Somos um povo só, somos iguais. Mas, infelizmente, erraram", disse Rogério.

A conversa entre os servidores ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, no domingo (25). O presidente reeleito teve a maioria dos votos em Tacuru (62,19%), de acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). 

A população autodeclarada indígena no município é de 4,2 mil, representando pouco mais de um terço do total de habitantes. Tacuru tem duas Terras Indígenas, a Jaguapiré e a Sassoró, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Serviço com caminhão-pipa - Torquetti explicou que o servidor que atua na Secretaria Municipal de Meio Ambiente está envolvido em trabalho com lixo reciclável, já o outro, da Secretaria Municipal de Infraestrutura, realiza manutenção de estradas vicinais e dirige caminhões-caçamba.

Também estão a cargo do segundo servidor os serviços com caminhões-pipa que abastecem as comunidades indígenas. O prefeito afirmou que, por precaução, irá designar outro servidor para assumir essa função.

Pede perdão - Apoiador de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas, Rogério Torquetti divulgou também na segunda-feira um vídeo em que aparece tomando tereré com uma indígena da comunidade Sassoró chamada Zuleine que, segundo ele, tem preferência política contrária. Ele pede perdão à ela e aos demais indígenas em nome dos servidores. 

"Nós divergimos opiniões sobre a eleição, porém, agora estamos tomando um tereré e a água não tem veneno coisa nenhuma. É um mal entendido, se expressaram mal ontem, na hora da euforia, por conta de talvez um pouco de álcool, por conta de não saber perder. [...] Nos perdoem, perdoem aqueles que gravaram o áudio se de certa forma ofendeu vocês", fala no vídeo.

Denúncia à PF - O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse ao Campo Grande News ontem que irá formalizar uma denúncia à Polícia Federal sobre o caso.

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