PM da reserva e mulher são presos em laboratório de medicamentos proibidos
Fábrica clandestina de produtos à base de clobenzorex funcionava na casa do policial, em Dourados

O sargento da reserva da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Marcos Roberto da Silva, de 54 anos, e a mulher dele, Valdenice Silveira Goes, de 48 anos, foram presos na manhã desta quinta-feira (22) em Dourados, a 251 km de Campo Grande, acusados de fabricar medicamentos clandestinos à base de clobenzorex, substância de uso proibido no Brasil, incluída na lista de drogas ilícitas.
RESUMO
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O sargento da reserva da Polícia Militar Marcos Roberto da Silva, de 54 anos, e a mulher, Valdenice Silveira Goes, de 48, foram presos em Dourados, a 251 km de Campo Grande, por fabricar medicamentos clandestinos à base de clobenzorex, substância proibida no Brasil. A Polícia Federal apreendeu cerca de 15 mil comprimidos em laboratório montado na casa do casal. Cada frasco com 10 unidades custava R$ 100. Uma técnica de enfermagem, suspeita de intermediar as vendas, também é investigada. Eles foram autuados com base na Lei de Drogas.
O laboratório clandestino funcionava na casa do policial, na Rua José Stroppa, no Jardim Hilda, ao lado do Parque Ambiental Rego D’Água, região sul da cidade.
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As prisões foram feitas pela Polícia Federal em ação conjunta com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e apoio da Polícia Militar, durante cumprimento de dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal no âmbito da Operação Remédio Proscrito. O nome se refere a produtos estritamente proibidos pelas normas sanitárias.
Conforme a Polícia Federal, a investigação identificou estrutura destinada à manipulação das drogas ilícitas, com equipamentos e insumos destinados à fabricação de medicamentos, os quais eram posteriormente repassados clandestinamente a terceiros.
Durante a vistoria na casa, os policiais apreenderam substâncias ilícitas, além de insumos e equipamentos típicos de laboratório clandestino. Materiais suficientes para produzir pelo menos 15 mil comprimidos foram encontrados no local. Cada frasco com 15 comprimidos era vendido por R$ 100,00.
Por ser bem mais barato que os emagrecedores trazidos do Paraguai, o "medicamento" passou a ser usado por centenas de pessoas para perda de peso. O outro mandado de busca foi cumprido num endereço na Vila Amaral, região central de Dourados.
O Campo Grande News apurou que o casal é suspeito de atuar no esquema há pelo menos 10 anos. Uma técnica de enfermagem, que intermediava a venda, também é suspeita de participar do negócio criminoso. Ela seria a responsável por intermediar a venda aos usuários.
Essa profissional de enfermagem chegou a ser detida recentemente e o celular dela foi apreendido. A quebra de sigilo revelou uma lista de pelo menos 400 compradores e levou os policiais até os fornecedores.
Marcos Roberto e Valdenice foram levados para a Delegacia da Polícia Federal em Dourados e autuados em flagrante com base na Lei de Drogas (11.343/2006).
O que é clobenzorex? - O clobenzorex é uma substância sintética da família das anfetaminas, com efeito estimulante sobre o sistema nervoso central. Originalmente utilizado em medicamentos para reduzir o apetite e auxiliar no emagrecimento, também provoca aumento do estado de alerta, diminuição do sono e sensação de energia.
Seu uso pode causar dependência, alterações cardíacas, ansiedade e outros problemas de saúde. Desde março de 2021, integra a lista de substâncias psicotrópicas de uso proibido no Brasil, conforme regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
A substância também é encontrada na fabricação clandestina de comprimidos estimulantes, falsos medicamentos para emagrecimento e pílulas comercializadas como ecstasy, embora não seja a mesma substância que o MDMA, principal componente dessa droga recreativa.
O clobenzorex também aparece em produtos conhecidos popularmente como rebites, utilizados de maneira irregular para combater o sono e o cansaço. Entre os medicamentos clandestinos identificados pela Polícia Federal estão produtos vendidos com os nomes Nobésio, Nobésio Extra Forte e Nobésio Sem Limites.
No organismo, o clobenzorex pode ser metabolizado em anfetamina. Isso não significa, porém, que os comprimidos que o contêm sejam necessariamente fabricados a partir de anfetamina ou metanfetamina. A comercialização clandestina representa risco adicional porque a composição e a concentração das substâncias podem variar, aumentando a possibilidade de intoxicação e complicações cardiovasculares.
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