Interior

Permanência de alunos por 4h em transporte escolar vira alvo de investigação

MPMS diz que a ponte quebrada sobre o Córrego Formoso aumentou o tempo de deslocamento dos estudantes

Por Ketlen Gomes | 29/08/2025 17:16
Permanência de alunos por 4h em transporte escolar vira alvo de investigação
Estrutura da ponte na área rural de Aparecida do Taboado está deteriorada. (Foto: Reprodução/MPMS)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou Inquérito Civil para apurar possíveis irregularidades no transporte escolar rural de alunos da região da Água Vermelha, em Aparecida do Taboado, após denúncias de que estudantes permanecem mais de quatro horas dentro do veículo. No entanto, de acordo com despacho da 2ª Promotoria de Justiça da comarca, o atraso é provocado pela interdição de uma ponte.

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A estrutura sobre o Córrego Formoso, localizada entre duas propriedades rurais, integra uma estrada utilizada tanto pelos estudantes quanto pela comunidade em geral. Moradores relataram ao MPMS prejuízos causados pela má conservação da ponte. Entre eles está Danilo Aparecido, que disse que os filhos precisam sair de casa às 4h30 e só retornam às 15h, em razão do percurso maior que o motorista é obrigado a fazer para evitar a passagem interditada.

Segundo a denúncia, a recuperação da ponte reduziria em cerca de 45 quilômetros o trajeto diário. O documento aponta ainda que a Prefeitura tem conhecimento da situação há dois anos, mas informou que busca parceria com uma empresa de celulose para a execução da obra.

“O chefe do Poder Executivo Municipal informou que há tratativa em andamento com a empresa para que ela disponibilize madeiramento e o projeto de execução dos reparos e reforços estruturais na ponte sobre o Córrego Formoso e, caso reste infrutífera a tratativa, estão viabilizando recursos públicos para tal finalidade”, registra o despacho.

O prefeito comunicou ao Ministério Público que o reparo da ponte foi orçado em pelo menos R$ 461 mil, mas que não há previsão de execução no momento. Atualmente, 18 alunos dependem do transporte escolar da região da Água Vermelha. O primeiro é buscado às 4h e chega à cidade às 7h. Na volta, saem da escola ao meio-dia e o último estudante chega em casa por volta das 15h05.

MPMS está apurando sobre o impacto no transporte escolar rural do município devido a fonte. (Foto: Reprodução/MPMS)

O MPMS destacou que não foram identificados indícios de irregularidades administrativas ou de descumprimento de contrato no serviço de transporte escolar. O problema está diretamente ligado às condições da ponte, cuja recuperação exige medidas estruturais da Prefeitura.

Além do aumento no tempo de deslocamento, a situação impacta a rotina dos alunos, que saem de casa ainda de madrugada e retornam no meio da tarde. O Ministério Público segue acompanhando o caso e deve cobrar da gestão municipal alternativas para reduzir os prejuízos à comunidade escolar, seja com a reforma da ponte, seja com medidas emergenciais.

A reportagem entrou em contato com o prefeito de Aparecida do Taboado, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

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