Interior

Paraguaios resgatados de trabalho escravo em MS recebem R$ 60 mil após acordo

Homens faziam colheita de mandioca em uma fazenda em Nova Andradina e viviam em alojamento precário

Por Clara Farias | 28/10/2025 17:59
Paraguaios resgatados de trabalho escravo em MS recebem R$ 60 mil após acordo
Paraguaios resgatados na Polícia Federal de Naviraí (Foto: Ministério Público do Trabalho)

Trabalhadores paraguaios resgatados em situação análoga à escravidão receberam R$ 60 mil em verbas rescisórias. Os nove homens foram resgatados em Nova Andradina, a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande, no mês de setembro. O acordo, no entanto, foi feito há poucos dias e divulgado nesta terça-feira (28) pelo MPT (Ministério Público do Trabalho).

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Além de estarem com os pagamentos atrasados, os trabalhadores viviam em situação degradante, morando em alojamento improvisado, sem camas, armários ou instalações adequadas para refeição e higiene. A moradia precária e a alimentação ainda eram descontadas dos pagamentos semanais.

Eles foram levados para o município de Nova Andradina para colher mandioca em uma fazenda local. Ao MPT, o fazendeiro confirmou a contratação do serviço de manejo agrícola, mas alegou não conhecer os trabalhadores nem o empreiteiro envolvido. Um dos paraguaios informou que dirigia o ônibus que transportava o grupo, mesmo sem possuir habilitação.

Os trabalhadores afirmaram, durante o resgate, que foram instruídos pelo empreiteiro a se esconderem em um canavial enquanto a fiscalização ocorria. Na madrugada do dia seguinte, foram levados até a rodoviária de Naviraí e receberam dinheiro que não dava nem para comprarem a passagem até o Paraguai. Nesse momento, acionaram o MPT, que prestou assistência ao grupo.

Com o acompanhamento da Inspeção do Trabalho, os estrangeiros foram encaminhados para o processo de regularização migratória no Brasil e receberam o protocolo da Carteira de Registro Nacional Migratório, documento que permite solicitar o CPF e trabalhar legalmente no país. O documento definitivo deve ser entregue em até 60 dias.

A operação, realizada em setembro, contou com a participação de auditores-fiscais do Trabalho e das Polícias Federal e Militar Ambiental. Ao todo, 20 trabalhadores paraguaios foram encontrados em condições semelhantes nas cidades de Nova Andradina e Ivinhema, resultando em dois acordos extrajudiciais firmados com empreiteiros e produtores rurais da região.

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