Interior

Pacientes esperam até 5 anos por endoscopia em Dourados

MPMS abriu inquérito para apurar demora; fila é de 2,5 mil procedimentos

Por Silvia Frias | 21/09/2025 15:04
Pacientes esperam até 5 anos por endoscopia em Dourados
Exame realizado no Hospital Universitário da UFGD (Foto/Arquivo)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) de Dourados instaurou inquérito civil para investigar a demora na realização de exames de endoscopia digestiva na rede pública municipal. O procedimento preparatório, aberto em março de 2025, revelou que 2.533 pacientes aguardam atendimento, alguns com previsão de espera superior a cinco anos. Diante da falta de medidas eficazes para reduzir o problema, o MPMS entendeu haver omissão do poder público.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A conversão do procedimento preparatório em inquérito civil foi determinada em 16 de setembro e consta da publicação do Diário do MPMS desta segunda-feira (22), já disponível no sistema. A mudança foi assinada pelo promotor Amílcar Araújo Carneiro Júnior, da 10ª Promotoria de Dourados.

Segundo informações do próprio município, a fila cresceu em ritmo acelerado. Em outubro de 2024, já havia 2.617 solicitações ativas no SISREG (Sistema de Regulação), que organiza os agendamentos com base em critérios técnicos e clínicos. A cada mês, entram em média 198 novos pedidos, mas só há disponibilidade de 103 vagas. Em resposta ao MP, a Prefeitura afirmou ter buscado alternativas, como o envio de parte dos pacientes ao CORE (Complexo Regulador Estadual), sob gestão da Secretaria Estadual de Saúde, e contatos com unidades de saúde para evitar solicitações desnecessárias.

Além disso, a administração municipal ressaltou manter contratos com duas unidades hospitalares: o Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), responsável por 85 procedimentos mensais, e o Hospital da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul), com outros 150 exames por mês. Juntos, esses serviços somariam 2.820 endoscopias anuais. O município também informou que a Central de Regulação classifica os pacientes por grau de risco, priorizando os casos mais graves independentemente da ordem cronológica de entrada.

Apesar das justificativas, a tabela mais recente, de julho de 2025, mostra que a fila ainda conta com 2.533 pessoas. Para pacientes classificados como prioridade 3, a previsão é de espera de até cinco anos, enquanto os de prioridade 2 devem aguardar mais de dois anos. 

Para o promotor, os contratos já existentes e os ajustes citados pela Prefeitura não foram suficientes para enfrentar a demanda represada. Em despacho, ele afirmou que a conduta do Executivo municipal é “omissa e displicente” e determinou a continuidade das apurações por meio de inquérito civil, que pode levar à adoção de medidas judiciais.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Dourados para tratar da fila dos exames e aguarda retorno para atualização do texto.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


Veja Mais