Interior

MPT resgata 27 adultos e 4 adolescentes traficados para trabalharem em MS

Para o Ministério do Trabalho, os trabalhadores relataram atuar em colheitas de mandiocas

Por Geniffer Valeriano | 27/11/2024 17:25
MPT resgata 27 adultos e 4 adolescentes traficados para trabalharem em MS
Trabalhadores resgatados pela PRF (Foto: Divulgação)

Durante cinco dias de operação, realizada entre 18 a 22 de novembro, o MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) resgatou 27 adultos e quatro adolescentes traficados para trabalharem em MS. As vítimas são indígenas paraguaios.

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Conforme divulgado, a primeira abordagem ocorreu na área rural de Nova Andradina, na Fazenda São Cristóvão, pertencente ao Grupo Coimma. Ao todo, foram resgatados 18 trabalhadores e um adolescente, enquanto o grupo retornava para o Paraguai. O resgate foi realizado após o veículo ser interceptado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

As vítimas foram levadas para a Delegacia de Polícia Civil de Nova Alvorada do Sul para prestarem depoimento à Auditoria-Fiscal do Trabalho. Conforme relatado em ata da audiência, os trabalhadores estavam em situação precária, sem seus direitos básicos.

Ainda é informado que paraguaios foram contratados para realizar “arrancação” de mandioca e recebiam diárias de R$ 130. As vítimas não possuíam registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social, Equipamentos de Proteção Individual e nem mesmo haviam passado pelo processo formal de imigração.

“No local, havia banheiros precários e sem áreas de vivência. A alimentação precisava ser comprada pelos próprios trabalhadores. Além disso, nenhum exame admissional ou medida de saúde ocupacional foi realizado”, informa a nota do MPT.

Os aliciadores afirmaram que não sabiam que no grupo havia um adolescente, durante audiência administrativa. O MPT ainda tentou realizar uma conciliação extrajudicial com a fazenda, mas não conseguiu chegar em um acordo.

“Não houve acordo para compensação dos danos civis-trabalhistas e morais das vítimas. Como resultado, o caso será judicializado, com o MPT-MS pleiteando R$ 3.705.000,00 em danos morais individuais, R$ 37.705.000,00 em danos morais coletivos e R$ 114.640,87 em verbas rescisórias”, explica o MPT.

O outro resgate aconteceu em Ribas do Rio Pardo, onde foram encontrados nove adultos e três adolescentes. O grupo trabalhava colhendo mandiocas e recebiam R$ 25 por “bag” colhida. No local, também não havia Equipamentos de Proteção Individual, sendo fornecido apenas ferramentas utilizadas para o serviço.

Outro problema encontrado foi a falta de banheiros e áreas de alimentação adequadas próximas à lavoura. Apesar de a alimentação ser fornecida pelo contratante, os trabalhadores precisavam arcar com os custos do transporte, que somavam cerca de R$ 2 mil. “Essa combinação de exploração financeira e condições degradantes evidencia a gravidade das violações dos direitos humanos”, diz o MPT.

Durante a audiência administrativa foram firmados três Termos de Ajuste de Conduta. Assim, foi decidido que os trabalhadores irão receber R$ 618.750,00 em danos morais individuais, R$ 50.000,00 em danos morais coletivos e R$ 46.970,04 em verbas rescisórias.

Depois que os contratantes realizaram o pagamento, as vítimas foram escoltadas até a fronteira de Mundo Novo para retornarem ao Paraguai. Ficou firmado que após regularizarem a documentação e conta bancária, os trabalhadores receberão o pagamento integral de seus direitos.

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