Interior

MP tenta barrar repasse "escandaloso" para transporte que quase triplicou

Serviço é prestado aos universitários de Nova Alvorada do Sul e alvo de investigação

Por Cassia Modena | 03/06/2026 10:39
MP tenta barrar repasse "escandaloso" para transporte que quase triplicou
Um dos ônibus de turismo que foram comprado para os acadêmicos estudarem, de acordo com publicação da prefeitura (Foto: Divulgação)

Município com somente 23 mil habitantes, segundo a contagem mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Nova Alvorada do Sul tem R$ 2,4 milhões previstos em gastos com transporte universitário até o fim deste ano. Além de desproporcional ao tamanho da população, o valor é quase o triplo do pagamento feito pelo serviço em 2023, que foi de R$ 803,7 mil, segundo dados do Portal da Transparência.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O dinheiro é repassado pela prefeitura à Aeunas (Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul), um dos alvos da investigação que deu origem à operação "Rota Desviada", do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), em 19 de maio deste ano. Ela é suspeita de integrar um esquema criminoso de desvio da verba destinada aos gastos com transporte. 

O serviço tem ônibus e vans para levar e buscar estudantes do município em universidades de Campo Grande e Dourados. Quando a operação foi deflagrada, a reportagem questionou a associação sobre as suspeitas. A diretoria atual alegou que a entidade em si não é alvo das investigações, mas sim os ex-diretores, à época da apuração dos fatos, e os proprietários dos veículos. A associação também declarou que a atual diretoria “não possui qualquer envolvimento com as supostas irregularidades eventualmente investigadas”. O caso segue em investigação.

Recomendação - Nesta quarta-feira (3), o MPMS publicou uma recomendação à prefeitura destacando que o salto orçamentário "abrupto" para os R$ 2,4 milhões atuais não tem justificativa e representa "uma incompreensível e escandalosa desproporção demográfica e econômica", que deve ser barrada. 

O pedido é que o repasse não supere R$ 1 milhão e que o restante da verba seja retido até o fim das investigações sobre desvio. 

Interior de um van nova que também foi comprada, segundo publicação da prefeitura (Foto: Divulgação)

O órgão compara gastos com transporte universitário em Maracaju, Amambai e Jardim declarados em 2025, que têm população maior e gastam menos com a mesma demanda.

Como R$ 720 mil já foram recebidos pela Associação, conforme apurou o Ministério Público, restam R$ 280 mil "estritamente para a manutenção essencial do serviço de transporte no decorrer do ano", recomenda o órgão.

Veja a evolução dos repasses, de acordo com dados do Portal da Transparência do município:

  • Exercício de 2023: R$ 803.700,00 
  • Exercício de 2024: R$ 900.427,27
  • Exercício de2025: cerca de R$ 1,4 milhão
  • Exercício de 2026: R$ 2.400.000,00  

Publicação em Diário Oficial - Assinada no dia 28 de maio, a recomendação pede ainda que a prefeitura oficialize a redução dos valores em publicação no Diário Oficial do Município. Mas, em consulta às edições disponíveis desde aquela data, o Campo Grande News não encontrou qualquer medida sobre o transporte de universitários e a Aeunas. 

Em 10 de março deste ano, quando a investigação do MPMS que deu base à operação e à recomendação já estava em andamento, o prefeito de Nova Alvorada do Sul, José Paulo Paleari, anunciou que veículos antigos foram substituídos por ônibus de turismo e que a oferta de transporte universitário gratuito continuaria no município. 

A reportagem procurou o chefe do Executivo, a assessoria de imprensa de Nova Alvorada do Sul e o responsável pela Aeunas para comentar a recomendação. Não houve retorno até a publicação desta matéria.

Matéria editada às 12h03 para corrigir informação sobre resposta da Aeunas.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

Veja Mais