Interior

Moradores de Terenos testemunham 5ª operação do Gaeco entre descrédito e lamento

O município a 31 km da Capital coleciona escândalos envolvendo dinheiro público

Por Aline dos Santos e Geniffer Valeriano, de Terenos | 10/02/2026 12:06
Moradores de Terenos testemunham 5ª operação do Gaeco entre descrédito e lamento
“Os eventos não saem, o comércio não vende, tudo fica parado", diz Ilza. (Foto: Marcos Maluf)

Testemunhas de cinco operações em dois anos, sendo a última nesta terça-feira (dia 10), moradores de Terenos, a 31 km de Campo Grande, lamentam a situação do município, que coleciona escândalos envolvendo dinheiro público. 

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A empresária Ilza Alves, de 57 anos, relata descrença de que as sucessivas investigações consigam dar fim à corrupção. “Mas a gente sabe que não vai ter resultado. Eu falo por mim. Estou descrente, não acredito. Porque isso é um sistema. Não depende só do Gaeco [Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado]. Infelizmente, isso é o Brasil. É chato, muito chato".

Para Ilza, o clima negativo desanima a cidade. “Os eventos não saem, o comércio não vende, tudo fica parado, tudo vai de mal a pior. Mas, ao mesmo tempo, eu não acredito que vai dar em alguma coisa. Eu já sou uma pessoa descrente”. 

Maurício mora na cidade de Terenos há 66 anos. (Foto: Marcos Maluf)

Maurício dos Reis, de 85 anos, conta que mora na cidade há 66 anos e rememora que quando foi vereador chegou a exercer o cargo sem remuneração. 

Eu era vereador de 1976 a 1982. Fiquei seis anos, não ganhava nada. Aí, depois, passou a ganhar um salário de 17 cruzeiros. Naquele tempo, o prefeito era bom, mas não vinha muito dinheiro. Hoje, vem dinheiro e não investem”, diz Maurício.

Ele avalia que roubalheira não chega a ser novidade. “Agora é que ficou escancarado”, afirma.

Laureano Coronel, de 34 anos, também se mostra descrente com a eficácia das operações autorizadas pela Justiça. “Os que foram presos já estão tudo soltos e eles vêm sempre aqui. Capaz que vocês vão trombar com um deles”.

A comerciante Glauciele da Silva, de 30 anos, se mostra com mais esperançosa. “Por um lado, é bom. Acabar a gente sabe que não acaba, mas deixa alerta para a população”. 

Servidora pública de 49 anos, que não quis se identificar, lamenta a situação de Terenos. “Eu acho que é negativo pra cidade, deixa todo mundo apreensivo, deixa todo mundo triste”. 

Terenos se tornou um “celeiro” de operações do Gaeco. (Foto: Marcos Maluf)

Com 18.182 habitantes, o município vizinho à Capital se tornou um “celeiro” de operações, com cinco ações nos últimos dois anos. 

Nesta terça-feira, o Gaeco e o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagram a operação Cartas Marcadas, que investiga empresário de Terenos num esquema de corrupção nas prefeituras de Corguinho e Rio Negro. 

Em 21 de janeiro de 2026, na Collusion e Simulatum, o Gaeco investigou organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, em especial fraudes às licitações e contratos públicos, bem como crimes correlatos ligados a materiais e serviços gráficos firmados com o município de Terenos e com a Câmara Municipal da cidade.

Um dos caminhos para a propina era a reforma de escolas, como o colégio Rosa Idalina Braga Barboza. (Foto: Marcos Maluf)

No ano passado, o prefeito Henrique Budke (PSDB) foi alvo de investigação e se afastou do comando do Poder Executivo. A operação Spotless mostrou que o patrimônio de Budke passou de R$ 776 mil para R$ 2,46 milhões, aumento incompatível com sua renda oficial. Um dos caminhos para a propina era a reforma de escolas, como o colégio Rosa Idalina Braga Barboza, em 2021, num contrato de R$ 1,12 milhão. Em 2024, a operação Velatus investigou fraudes milionárias no município. 

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