Interior

Irmão de prefeito preso por receptação de combustível ganha liberdade provisória

Selmo Abrantes havia sido conduzido em flagrante na última quarta-feira em operação da Deleagro

Por Clara Farias | 12/06/2026 13:56
Irmão de prefeito preso por receptação de combustível ganha liberdade provisória
Operação da Deleagro em propriedade do prefeito (Foto: Divulgação)

O mecânico Selmo Ribeiro Abrantes, irmão do prefeito de Bandeirantes, Celso Ribeiro Abrantes (PSD), e o motorista de caminhão-tanque Paulo Cezar Soares ganharam liberdade provisória nesta sexta-feira (12), após passarem por audiência de custódia. Os dois haviam sido presos em flagrante na quarta-feira (10), durante operação da Deleagro (Delegacia Especializada de Combate a Crimes Rurais e Abigeato), que investigava o desvio e a comercialização clandestina de combustível furtado.

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Como medidas cautelares, a Justiça determinou que os dois não mantenham contato entre si e compareçam mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades.

Selmo foi preso em uma propriedade rural da família, onde administra a oficina pertencente ao prefeito de Bandeirantes. No local, os policiais flagraram o descarregamento de combustível em tanques de armazenamento escondidos sob árvores. Durante a ação, foram apreendidos quatro tanques contendo cerca de 1,7 mil litros de diesel S-500 e S-10, além de 20 tambores plásticos utilizados para fracionamento do produto.

Segundo o boletim de ocorrência, Paulo, motorista do caminhão-tanque, confessou que já havia realizado outras entregas de combustível no local e relatou que, naquele dia, descarregaria 600 litros de diesel pelo valor de R$ 4 por litro. Ele também autorizou o acesso ao conteúdo de seu celular, onde os policiais encontraram conversas e comprovantes de transferências bancárias relacionados à negociação.

A investigação apontou que as tratativas para a compra do combustível eram realizadas diretamente entre Paulo e o prefeito Celso Abrantes. Conforme a polícia, mensagens de texto e comprovantes bancários encontrados no aparelho do motorista indicam que o chefe do Executivo municipal era o comprador e articulador das negociações.

Já Selmo afirmou aos policiais que havia auxiliado Paulo no descarregamento do combustível em duas ou três ocasiões anteriores, mas alegou desconhecer a origem do produto, os valores envolvidos e a forma de pagamento. Segundo ele, sua função se limitava à manutenção dos veículos e à organização do pátio da oficina.

Em vídeo divulgado na quinta-feira (11), o prefeito Celso Abrantes negou o envolvimento em qualquer esquema criminoso, e disse que o irmão foi vítima de uma situação motivada por "politicagem". Ainda segundo o prefeito, a irregularidade consistia somente na ausência de nota fiscal durante o descarregamento do combustível. 

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