Interior

Irmã recebe vídeo que difama garota de 12 anos e mais 17 jovens

Fato indignou família de Bonito que acusa moradora de Campo Grande pela montagem e divulgação

Danielle Valentim | 12/01/2019 15:37
Adolescente de 12 anos é difamada em imagens. (Foto: Reprodução do vídeo)
Adolescente de 12 anos é difamada em imagens. (Foto: Reprodução do vídeo)

Na mesma semana em que a divulgação de um vídeo difamou 11 mulheres em Ribas do Rio Pardo, uma segunda gravação circula na internet e ofende a reputação de mais 18 jovens moradoras de Bonito e Bodoquena, a 266 km de Campo Grande. O caso veio à tona nesta sexta-feira (11) após a família de uma das meninas, de apenas 12 anos, receber as imagens.

Ao Campo Grande News, a irmã da adolescente de 12 anos, que terá o nome preservado, disse que a família está revoltada com a situação. Segundo ela, uma moradora de Campo Grande seria a responsável pela montagem do vídeo e primeiras divulgações.

“Essa menina de Campo Grande chegou a publicar um pedido de desculpas no Facebook, mas não marcou minha irmã, nós apenas recebemos um print. Eu e minha mãe procuramos a Polícia Civil. Mas voltar na delegacia na segunda-feira, mas eles já estão apurando a autoria”, disse.

A montagem é semelhante ao primeiro vídeo divulgado nesta semana, em que aparece foto de garotas ao som de um funk. Desta vez a letra da música diz repetidas vezes: “É tudo p****”.

A reportagem entrou em contato com a delegacia de Polícia Civil de Bonito, mas foi informada de que o titular da unidade retorna na segunda-feira (14). A suposta autora da gravação também foi contata pelo Campo Grande News, mas até o fechamento da matéria não respondeu aos questionamentos.

Outro caso – Em Ribas do Rio Pardo, uma menina de 12 anos foi a responsável por criar, e um adolescente de 17 por divulgar, vários vídeos em que 11 mulheres são difamadas nas redes sociais. Eles e outros dois suspeitos, que estão presos, foram denunciados.

Segundo o delegado Bruno Santacatharina Carvalho, titular da Delegacia de Polícia Civil da cidade, as investigações começaram após a polícia ter acesso a dois vídeos em que fotos das vítimas aparecem acompanhadas de frases difamando e detalhando a vida sexual de cada uma.

“Tinha uma música de funk no fundo e fotos de várias meninas, não imagens nuas, imagens normais, mas com uma frase para cada uma delas, manchando, ofendo a honra de todas”, detalhou.

Os vídeos rapidamente se espalharam em grupos de WhatsApp, perfis nas redes sociais, e foi enviado a moradores de Campo Grande, Três Lagoas, Água Clara, Camapuã e outras cidades da região.

Após a divulgação tomar proporção e ir parar no Facebook, Rafael dos Santos Gama, de 21 anos, fez comentários afirmando que as meninas do vídeo "eram marmitas mesmo” e que o criador merecia um prêmio, já que tudo escrito ali era verdade. Na mesma publicação, Lucas Miranda da Silva, de 18 anos, teria reforçado a ideia do Rafael.

Ainda conforme o delegado, as investigações apontaram que vários vídeos com o mesmo conteúdo circulam pela internet, cada um com um “título” diferente e fotos de cerca de 20 vítimas. Até o momento, 11 vítimas - com faixa etária de 13 a 20 anos - procuraram a delegacia e registraram boletim de ocorrência contra os quatro envolvidos.

“Os dois maiores foram presos em flagrante por onze crimes de difamação. Já os menores foram apreendidos, passaram o dia na delegacia, e liberados ao final do dia ao final do procedimento. Como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente, vão responder em liberdade”.

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