Interior

Ex-comandante da FAB explica por que avião de 1980 ainda voava em boas condições

Caso aconteceu na manhã desta terça-feira, e destroços da aeronave foram encontrados em fazenda de Corumbá

Por Clara Farias | 17/09/2025 10:01


Ex-comandante da FAB explica por que avião de 1980 ainda voava em boas condições
Aeronave pilotada pelo pecuárista, fabricada em 1980 (Foto: Arquivo Pessoal)

RESUMO

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A queda do avião Cessna 210 Silver Eagle que matou o pecuarista e médico ortopedista Ramiro Pereira de Matos, de 67 anos, reacendeu a discussão sobre a idade das aeronaves e as condições enfrentadas pelo piloto. Para explicar o tema, o Campo Grande News ouviu nesta quarta-feira (17) o ex-comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), Sílvio Monteiro, que acumula 35 anos de experiência em operações de busca e salvamento.

O acidente ocorreu ontem (16), quando Ramiro saiu de Araçatuba (SP) em direção à fazenda da família em Figueirópolis do Oeste (MT). O monomotor decolou às 7h30 com previsão de pouso às 9h30, mas, ao sobrevoar o Pantanal sul-mato-grossense, o piloto relatou a outro colega dificuldades por causa do mau tempo. A aeronave, prefixo PS-FDW, fabricada em 1980 e comprada por Ramiro em março de 2024, tinha seis assentos e estava em situação normal de aeronavegabilidade, com certificado válido até agosto de 2026, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Monteiro explicou que a idade de um avião não pode ser comparada à de um carro. “Um avião tem relatórios de manutenção a cumprir. Quando é novo, precisa passar por revisões a cada 500 horas de voo, 10 mil horas e assim por diante”, disse. Ele destacou que muitas aeronaves fabricadas nos anos 1970 e 1980 ainda estão em operação comercial. “Se você pegar um voo para São Paulo ou para os Estados Unidos, encontrará aviões dessa mesma época”, afirmou. O ex-comandante contou que nunca pilotou o modelo usado por Ramiro, mas já o utilizou em saltos de paraquedas.

Para ele, o fato de a aeronave ter 45 anos não significa más condições de uso. “O cubo da hélice, por exemplo, certamente não tinha essa idade. Foi revisado e substituído conforme as horas de voo exigiam. O mesmo vale para trem de pouso, cabine, peças móveis, motor e parte elétrica, que são trocados ao longo do tempo”, explicou. Sobre as condições climáticas, Monteiro disse que o que Ramiro relatou era compatível com o briefing do voo. “Em setembro é comum chuvas isoladas se juntarem e causarem precipitações. Mas não é possível afirmar que essa foi a causa. Por enquanto, tudo é especulação”, reforçou.

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) já foi acionado e trabalha em paralelo à Polícia Civil. “A investigação da Aeronáutica não busca culpados. O objetivo é identificar fatores que contribuíram para o acidente, gerar conhecimento e alertar outros pilotos”, disse Monteiro. Já a Polícia Civil, pontuou, trabalha apenas com provas. “Ela não especula. Tem o objetivo de identificar se houve algum responsável pela queda.” O ex-comandante ainda lembrou acidentes recentes no Estado, como o que envolveu Luciano Huck e Angélica, além do caso de pai e filho mortos em 2023.

Nesta manhã, a Polícia Civil informou que concluiu a logística para a retirada do corpo do piloto e dos destroços do monomotor. Segundo o Salvaero (Serviço de Busca e Salvamento), o avião foi localizado por volta das 14h de terça-feira (16), em uma fazenda de Corumbá. O resgate é conduzido pelo Goa (Grupamento de Operações Aéreas) do Corpo de Bombeiros, com traslado para Campo Grande. O Cenipa fará a análise técnica no local, em conjunto com a Polícia Civil e outros órgãos.

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