Com tornozeleira, mulher é baleada dentro de casa em meio à guerra de facções
Atingida por dois tiros, vítima havia sido presa em operação contra o Comando Vermelho

Uma mulher de 34 anos, baleada dentro de casa na tarde de quinta-feira (5), em Rio Brilhante, foi transferida para uma unidade hospitalar de Dourados devido à gravidade dos ferimentos.
RESUMO
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Ela foi atingida por pelo menos dois disparos, no braço e na lateral do tórax. A vítima utiliza tornozeleira eletrônica e havia sido presa em setembro durante uma operação contra integrantes do CV (Comando Vermelho). O atentado ocorre em meio à disputa entre facções criminosas que já deixou mulheres mortas e feridas em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.
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O ataque ocorreu em uma residência na Rua Mohamed Alle. A mulher estava acompanhada de um homem quando dois suspeitos chegaram em uma motocicleta. Um deles estava armado e começou a atirar contra a moradora.
Ela tentou escapar dos disparos e correu para o interior do imóvel, mas acabou atingida. Os criminosos fugiram na mesma motocicleta e ainda não foram localizados.
O Corpo de Bombeiros socorreu a vítima e a encaminhou inicialmente ao hospital de Rio Brilhante. Diante da gravidade dos ferimentos, houve necessidade de transferência para Dourados. Não foram divulgadas informações atualizadas sobre seu estado de saúde.
Equipes da PM (Polícia Militar), Polícia Civil e Polícia Científica estiveram na residência para levantar informações sobre o atentado. Durante as buscas, os policiais encontraram drogas no imóvel. O homem que estava com a vítima foi preso em flagrante por tráfico e levado à delegacia.
Segundo a polícia, a mulher havia sido presa durante operação desencadeada nos dias 23 e 24 de setembro pela Polícia Civil de Rio Brilhante, com apoio da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira) e da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros).
A ofensiva contra o Comando Vermelho terminou com 14 pessoas presas, duas mortas em confrontos com policiais e apreensão de armas e drogas.
O atentado desta quinta-feira foi registrado com as naturezas de tentativa de homicídio, tráfico de drogas e integração de organização criminosa. A Polícia Civil investiga o caso e até agora não há pista dos criminosos.
Mulheres na mira
O caso de Rio Brilhante se soma a uma sequência de ataques contra mulheres em meio à guerra entre o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital). Desde junho, pelo menos quatro mulheres foram assassinadas em Maracaju em ocorrências investigadas por possível relação com organizações criminosas. Outra ficou ferida durante um atentado em Caarapó.
O caso mais recente ocorreu em 27 de outubro, quando Érica Rocha da Silva, de 29 anos, foi assassinada a tiros na Vila Adrien, em Maracaju. Dois homens chegaram em uma motocicleta e dispararam contra ela. A mulher havia deixado a prisão cerca de quatro meses antes e também utilizava tornozeleira eletrônica.
Familiares relataram à polícia que Érica vinha recebendo ameaças de integrantes de facções criminosas. Dois suspeitos foram presos, mas a investigação ainda busca esclarecer quem ordenou o crime e se houve participação de organizações criminosas.
Em 13 de setembro, Deborah Martines Escardin, de 32 anos, foi morta durante um ataque a uma residência na Vila Juquita, também em Maracaju. Dois homens invadiram o imóvel e efetuaram vários disparos. Edson Freire Arce, de 43 anos, também foi atingido, mas sobreviveu.
Retaliação
Outro crime investigado como possível represália entre facções ocorreu em 1º de setembro. Marilei Pereira de Souza, de 44 anos, foi assassinada com um tiro no rosto no quintal de casa, no Bairro Ilha Bela I, em Maracaju.
O principal indício de ligação com a disputa criminosa era o parentesco da vítima com Armando de Souza Barbosa, conhecido como “Tiu”, apontado como integrante do PCC.
Quatro dias antes, Armando havia sido preso por tentar matar três supostos integrantes do Comando Vermelho. A suspeita levantada na investigação era de que Marilei tivesse sido assassinada como retaliação ao ataque cometido pelo filho.
Em 20 de junho, Kátia Lima Chimenes, de 36 anos, também foi assassinada dentro de casa, na Vila Juquita. Dois homens invadiram a residência pelos fundos e um deles atirou contra a mulher, que estava na sala.
João Vitor de Souza Rolon, conhecido como “Blindado”, de 20 anos, apontado como integrante do Comando Vermelho, era investigado pela execução. Ele morreu em 27 de junho, durante confronto com policiais do Batalhão de Choque em Rio Brilhante.
Ataque em bar
Em Caarapó, uma mulher de 27 anos foi atingida no rosto durante um atentado contra o cunhado, de 25 anos, na madrugada de 6 de julho. Os dois estavam em um bar no Bairro Santo Antônio quando um adolescente de 17 anos chegou na garupa de uma motocicleta e começou a atirar.
O homem, conhecido como “Dudu”, era apontado como aliado do PCC e estaria recebendo ameaças do Comando Vermelho. Ele foi atingido por cinco tiros. Os dois feridos precisaram ser transferidos para a Santa Casa de Campo Grande.
Segundo a investigação, o atentado ocorreu durante uma sequência de ataques atribuídos à disputa pelo controle do tráfico de drogas na região.
A rivalidade também alcançou Sidrolândia, onde a Polícia Civil investigava, em outubro, pelo menos 13 crimes entre homicídios e tentativas relacionados às duas facções. As apurações apontavam ataques por vingança, disputas territoriais e a circulação de suspeitos entre municípios, incluindo Maracaju e Rio Brilhante.
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