Interior

Clínica é interditada após adolescente morrer amarrada e sedada

Adolescente de 16 anos morreu em Fátima do Sul após ter um surto e ser contida

Por Jéssica Fernandes | 14/07/2025 17:15
Clínica é interditada após adolescente morrer amarrada e sedada
Clínica em Fátima do Sul foi interditada após vistoria (Foto: Defensoria/Reprodução)

A morte de uma adolescente de 16 anos, internada compulsoriamente, levou à interdição de uma clínica em Fátima do Sul, a 239 km de Campo Grande. Além deste caso, foram constatadas graves irregularidades na internação de mulheres e adolescentes com transtornos mentais e dependência química.

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A jovem sofreu um surto em 30 de junho e foi contida com amarras e sedativos. Horas depois, ela teve uma parada cardiorrespiratória e morreu, sem receber atendimento médico adequado. Mesmo com histórico psiquiátrico grave e recomendação médica para transferência imediata a um hospital psiquiátrico, a adolescente continuou internada na clínica.

Em ação pública, a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul obteve na Justiça a interdição cautelar da clínica Hazelden BR. Antes da morte da adolescente, o local já havia sido alvo de denúncias e pedidos de interdição em outros processos.

Segundo a defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, do NAS (Núcleo de Atenção à Saúde), inspeções realizadas no local constataram diversas irregularidades. “Foram identificadas falhas graves, como ausência de equipe médica especializada, superdosagem de medicamentos, falta de prontuário clínico, contenções físicas e químicas indevidas e utilização de profissionais sem a qualificação necessária”, detalhou.

Além disso, adolescentes eram mantidas em internação involuntária no mesmo ambiente que mulheres adultas, sem separação ou tratamento adequado.

A Justiça determinou a suspensão imediata das atividades da clínica, proibiu novas internações e ordenou a liberação das pacientes internadas, com o devido acompanhamento pelas redes de saúde e assistência social.

Também foi fixada multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. A Defensoria Pública ainda pede a condenação dos responsáveis ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, valor que deverá ser destinado ao fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial de Fátima do Sul.

A reportagem procurou a clínica na tarde desta segunda-feira (14), mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto. 

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