Interior

Caso de água contaminada em comunidade quilombola de Sonora é enviado ao MPF

Moradores da Família Bispo dependem de um córrego sem tratamento e sofrem com falta de abastecimento há anos

Por Kamila Alcântara | 29/07/2025 15:36
Caso de água contaminada em comunidade quilombola de Sonora é enviado ao MPF
Bomba instalada em 2023 para "puxar" água de um córrego próximo (Foto: Reprodução)

Após constatar que famílias da Comunidade Quilombola Família Bispo, em Sonora, podem estar consumindo água contaminada, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul decidiu encaminhar o caso ao MPF (Ministério Público Federal). A decisão foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (29) e se baseia no entendimento de que a situação envolve direitos fundamentais de uma comunidade tradicional, que é de competência federal.

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A investigação começou em maio de 2023, depois que uma vistoria da Promotoria de Justiça de Sonora constatou que o poço artesiano da comunidade, construído com recursos da Funasa, secou há anos. 

Como alternativa, a prefeitura instalou uma bomba para captar água de um córrego próximo, avaliada em R$ 371 mil. Sem qualquer tipo de tratamento, essa água é enviada para caixas de armazenamento e depois distribuída às casas. Moradores relataram que a água tem aparência turva, especialmente em dias de chuva, e nem sempre chega às torneiras.

Relatórios técnicos do Ministério Público confirmaram que a água é imprópria para consumo humano. O material coletado apresenta risco à saúde da população e não atende aos padrões de potabilidade exigidos por lei.

Placa que informa o valor da instalação de sistema hídrico (Foto: Reprodução)

A comunidade, reconhecida oficialmente como quilombola desde 2005, está localizada a cerca de 42 quilômetros da área urbana de Sonora, a 362 km de Campo Grande. O abastecimento precário afeta diretamente o direito à saúde e à dignidade dos moradores, conforme destacou o MPMS no inquérito.

Com base em parecer do Núcleo Ambiental do próprio Ministério Público, o caso foi repassado ao MPF, responsável por atuar em demandas que envolvem comunidades tradicionais e violações de direitos humanos. 

A reportagem questionou a gestão municipal sobre a situação, que teve início em 2023, na administração anterior. Agora, será necessário consultar o setor jurídico para obter mais informações sobre o caso. 

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