Empregos

Mais 171 mil brasileiros desistem de procurar emprego em três meses

Desalento cresce 7,5% e chega a 2,5 milhões; outros 4,3 mi trabalham menos horas do que gostariam

Por Guilherme Cavalcante | 30/10/2026 10:12
Mais 171 mil brasileiros desistem de procurar emprego em três meses
Mulher segura carteira de trabalho (Foto: AEN/Divulgação)

O número de brasileiros que desistiram de procurar emprego aumentou em 171 mil pessoas no trimestre encerrado em setembro. O crescimento de 7,5% elevou para aproximadamente 2,5 milhões o contingente de desalentados no País, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No mesmo período, outros 4,3 milhões de trabalhadores estavam ocupados, mas gostariam de trabalhar mais horas.

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O desalento atinge pessoas que desejam trabalhar e estão disponíveis para assumir uma ocupação, mas deixam de procurar emprego por acreditar que não conseguirão uma vaga adequada. Entre os motivos considerados pelo IBGE estão a falta de experiência ou qualificação, dificuldades relacionadas à idade e ausência de oportunidades na região onde vivem.

Essas pessoas não são classificadas como desempregadas nas estatísticas oficiais porque não procuraram trabalho no período de referência. Elas integram a chamada força de trabalho potencial, formada por brasileiros que poderiam ingressar no mercado sob determinadas condições.

Apesar do crescimento nos últimos três meses, o contingente de desalentados permanece 6,8% abaixo do registrado entre julho e setembro de 2025, quando aproximadamente 2,6 milhões de pessoas estavam nessa situação.

A proporção de desalentados em relação à população que integra a força de trabalho ou está em situação de desalento passou de 2,1% para 2,2% no trimestre. Um ano antes, o indicador estava em 2,4%.

Trabalho insuficiente – Outra dificuldade aparece entre os brasileiros que já conseguiram uma ocupação, mas trabalham menos horas do que gostariam. Esse grupo, classificado como subocupado por insuficiência de horas trabalhadas, chegou a 4,3 milhões de pessoas no trimestre encerrado em setembro.

O contingente aumentou 5,2% em relação aos três meses anteriores, o equivalente a 214 mil trabalhadores adicionais. São pessoas que desejam ampliar a jornada e têm disponibilidade para isso, conforme os critérios da pesquisa.

Na comparação anual, porém, o número de subocupados apresentou redução de 5,4%. Entre julho e setembro de 2025, aproximadamente 4,5 milhões de brasileiros estavam nessa condição.

Os dois indicadores mostram situações diferentes. Enquanto o desalento envolve pessoas que deixaram de procurar uma ocupação, a subocupação atinge quem já trabalha, mas não consegue cumprir a quantidade de horas desejada.

Mercado subutilizado – Quando considerados os desempregados, os subocupados por insuficiência de horas e os integrantes da força de trabalho potencial, o Brasil tinha aproximadamente 14,8 milhões de pessoas em situação de subutilização.

A taxa composta de subutilização ficou em 13%, praticamente estável em relação aos 12,9% registrados no trimestre anterior.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o contingente diminuiu 6,1%, o equivalente a 957 mil pessoas. Naquele período, aproximadamente 15,8 milhões de brasileiros estavam nessa situação.

O levantamento também mostra que a força de trabalho potencial chegou a 4,9 milhões de pessoas, aumento de 4,4% em três meses. O crescimento corresponde a 208 mil brasileiros adicionais.

Já a população fora da força de trabalho somava 66,5 milhões de pessoas, incluindo aquelas que não estavam ocupadas nem procuravam emprego, independentemente do motivo.

Os resultados fazem parte da Pnad Contínua, pesquisa que acompanha a situação do mercado de trabalho brasileiro por meio de entrevistas domiciliares. Os indicadores divulgados nesta sexta-feira correspondem ao trimestre móvel de julho a setembro de 2026.

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