Capital

Servidores lotam Câmara contra privatização de unidades de saúde na Capital

Reunião hoje definiu para dia 9 de abril data da audiência pública que irá debater proposta da prefeitura

Por Silvia Frias e Mylena Fraiha | 26/03/2026 11:28
Servidores lotam Câmara contra privatização de unidades de saúde na Capital
Servidores da saúde lotam Câmara durante sessão nesta quinta-feira (Foto: Osmar Veiga)

Servidores da saúde lotaram a Câmara Municipal de Campo Grande, receosos com proposta divulgada pela prefeitura de transferir a gestão de duas unidades de saúde para OSs (Organizações Sociais). A privatização será tema de audiência pública, que teve data marcada para dia 9 de abril, às 14h.

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A data foi definida após reunião na Câmara, com o presidente da Casa, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), o coordenador Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos e vereadores que integram a Comissão Permanente de Saúde.

 A reunião começou antes da sessão e durou cerca de duas horas.

Na saída, Papy disse à reportagem que a proposta ainda está em fase inicial e não pode avançar sem amplo debate. “Ninguém vai fazer nada de forma atropelada, ninguém vai fazer nada com pressa. O projeto ainda nem está na Casa, nem sei se tem projeto elaborado ainda”, afirmou. O vereador destacou que a audiência pública será justamente para ouvir todos os lados. “A Câmara sempre ficou do lado do servidor, mas antes da defesa do servidor, tem a defesa do usuário”, completou, ponderando que a ideia pode ser apenas uma entre várias soluções possíveis para a crise na saúde.

Cartazes foram usados no protesto dos servidores (Foto: Osmar Veiga)

Já o vereador Victor Rocha, presidente da comissão de saúde, se posicionou de forma contrária à terceirização e alertou para o papel do CMS (Conselho Municipal de Saúde) no processo, que também se mostrou contra a proposta. Segundo ele, qualquer mudança precisa do aval do órgão, sob o risco de problemas futuros, como a rejeição de contas.

 “Isso não é o principal problema que nós temos hoje. Os servidores atendem bem nossa comunidade. O que precisamos é estruturar melhor, com mais leitos, insumos e redução das filas”, disse. Para ele, a substituição de trabalhadores pode até agravar o atendimento, embora reconheça que a iniciativa privada pode atuar de forma complementar ao SUS.

Com lotação, entrada teve que ser controlada (Foto: Osmar Veiga)

O servidor Gilson Menezes, integrante do CMS, acredita que a privatização pode gerar perda para os dois lados. "Os servidores podem sofrer com a pressão por conta das empresas que podem estar desenvolvendo os trabalhos dentro dessas unidades de saúde. O usuário pode ter, infelizmente, perda no atendimento pleno da saúde pública de Campo Grande, sabendo que uma empresa visa o lucro sobre a saúde da população”.

Depois que a sessão foi iniciada, o vereador Rafael Tavares (PSDB) ocupou a tribuna para defender a privatização e afirmou que já havia apresentado proposta semelhante em fevereiro de 2025, mas o conselho rejeitou o projeto. Ele acabou sendo vaiado pelos servidores presentes.

Proposta - O projeto da Prefeitura de Campo Grande para transferir a gestão de unidades de saúde para OSs foi apresentado oficialmente pelo secretário Municipal de Saúde, Marcelo Vilela, durante reunião ontem (25), depois de sindicatos criticarem durante a semana a possibilidade de repasse à iniciativa privada.

A ideia da gestão é iniciar um projeto piloto de 12 meses nos CRSs (Centros Regionais de Saúde) do Aero Rancho e do Tiradentes, considerados os maiores da rede municipal. Atualmente, essas unidades consomem cerca de R$ 4,3 milhões por mês, totalizando R$ 51,6 milhões por ano. De cara, a ideia foi rejeitada pelo Conselho Municipal de Saúde.

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