Capital

Queimadas recorrentes obrigam moradores a conviver com 12 horas de fumaça

Atear fogo em terrenos baldios ou áreas de mata é considerado crime ambiental e multa pode chegar a R$ 9,6 mil

Por Clara Farias e Bruna Marques | 18/09/2025 08:48
Queimadas recorrentes obrigam moradores a conviver com 12 horas de fumaça
Terreno queimado no Jardim Veraneio (Foto: Henrique Kawaminami)

Incêndio que tomou conta de um terreno baldio no Jardim Veraneio, no fim da tarde desta quarta-feira (18), é uma situação frequente, segundo moradores. O Campo Grande News voltou ao local na manhã de hoje (18) e constatou que, mesmo após 12 horas, a fumaça da queimada ainda permanecia no ar.

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O terreno fica na Rua Barra Funda, esquina com a Rua Wagner Jorge Borttoto Garcia. É cercado e aparenta ser particular. As imagens do incêndio chamam a atenção pela altura das chamas e pela grande quantidade de fumaça. Tudo aconteceu enquanto a Capital registrava 26°C, com umidade relativa do ar em 44%, conforme o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

De acordo com o mecânico Weslei Gabriel, de 21 anos, os trabalhadores saíram do local por volta das 17h e ainda não havia sinais de fogo. “O incêndio começou ao lado do condomínio. Não acho certo; faz mal para todo mundo. Nesse condomínio mora muita criança”, disse.

De toda área queimada, restaram apenas poucas árvores (Foto: Henrique Kawaminami)
Ao fundo da imagem, é possível ver a fumaça saindo do solo queimado (Foto: Henrique Kawaminami)

Ele contou ainda que as queimadas em terrenos do bairro são recorrentes. “Os usuários de drogas carregam fios e entram nos terrenos para queimar e tudo acaba pegando fogo. Nossa sorte é que o vento está no sentido oposto e não chega tanto cheiro aqui”, detalhou.

O comerciante Paulo Rodrigues, de 59 anos, afirmou que demorou para perceber o fogo na noite de ontem. “Quando eu vi, já tinha um pedaço queimando, e os bombeiros logo chegaram. Sempre alguém entra aí e coloca fogo”, relatou.

Para ele, o problema se agrava com o tempo seco. “É horrível porque está muito seco. Da outra vez, a fumaça veio para cá e não tinha nem como trabalhar. Fechei o comércio por meia hora”, completou.

Na noite de ontem, testemunhas disseram ao Campo Grande News que o incêndio foi criminoso, pois viram um ciclista ateando fogo ao terreno.

Fogo tomando conta de terreno na noite de quarta-feira (Foto: Juliano Almeida)

Risco à saúde - Nesta época do ano, os hospitais de Campo Grande lotam por problemas respiratórios. O tempo seco, aliado às queimadas urbanas, intensifica crises de asma, bronquite e rinite, além de causar complicações em quem já tem doenças crônicas.

A fumaça liberada por incêndios em terrenos baldios carrega partículas finas que, ao serem inaladas, irritam os pulmões e as vias aéreas. Crianças e idosos estão entre os mais afetados, já que possuem sistema imunológico mais frágil e maior sensibilidade à poluição. Mesmo pessoas saudáveis podem apresentar tosse, falta de ar, dor de cabeça e ardência nos olhos após horas de exposição.

Médicos alertam que a fumaça pode agravar quadros cardíacos, aumentar a pressão arterial e desencadear crises respiratórias graves. Em situações assim, a recomendação é manter portas e janelas fechadas, evitar atividades físicas ao ar livre e procurar atendimento médico diante de qualquer dificuldade para respirar.

A prática de atear fogo em áreas urbanas é crime ambiental, com multas que podem chegar a R$ 9,6 mil. Denúncias podem ser feitas à Guarda Civil Metropolitana, pelo telefone 153, à Decat pelo (67) 3325-2567, ou à Semades pelo 156.

Crime ambiental - atear fogo em terrenos baldios, florestas ou áreas de mata é considerado crime ambiental e a multa pode chegar a R$ 9,6 mil. Caso haja flagrante, a denúncia pode ser feita à Guarda Civil Metropolitana, pelo 153.

As denúncias de queimada também podem ser feitas à Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) pelo número (67) 3325-2567 e à Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável) pelo 156.

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