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Quatro crianças aguardam cirurgia cardíaca suspensa na Santa Casa

Hospital diz estar sem equipe completa e afirma que aporte de R$ 4 milhões ainda não chegou

Por Gustavo Bonotto | 10/09/2026 21:36
Quatro crianças aguardam cirurgia cardíaca suspensa na Santa Casa
Entrada da Santa Casa de Campo Grande, hospital que suspendeu operações eletivas pediátricas por falta de efetivo. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Quatro crianças aguardam cirurgia cardíaca pediátrica na Santa Casa de Campo Grande, que publicou nota na tarde desta quinta-feira (10) para explicar a suspensão temporária dos procedimentos eletivos. No texto, o hospital atribuiu a paralisação à falta da equipe médica especializada necessária para realizar as operações.

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Segundo a Santa Casa, dois cirurgiões cardíacos pediátricos atuavam na área antes da suspensão. Um deles está afastado por problema grave de saúde, enquanto a outra profissional pediu rescisão contratual. O hospital afirma que a especialidade tem poucos profissionais disponíveis e que, por isso, não consegue substituir a equipe de forma imediata.

No comunicado à imprensa, a instituição ressalta que a interrupção atinge apenas as cirurgias eletivas e não representa o encerramento da assistência pediátrica. “Os pacientes continuam sendo acolhidos, acompanhados e submetidos aos exames necessários, inclusive os 4 que atualmente aguardam procedimento cirúrgico”, informou. A Santa Casa, no entanto, não apresentou prazo para a realização dessas operações.

O hospital também usou o comunicado para esclarecer quando informou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) sobre a suspensão. Segundo a instituição, ofício foi enviado em 3 de setembro, às 16h46. A informação diverge da manifestação feita pela secretaria dois dias depois, quando a pasta afirmou ao Campo Grande News que não havia recebido comunicação oficial sobre a interrupção do serviço.

Outro ponto abordado pela Santa Casa foi o montante anunciado pela Prefeitura de Campo Grande para auxiliar a instituição. O município havia informado em 3 de setembro que preparava o repasse para ajudar na compra de medicamentos, insumos e materiais.  “Quanto ao aporte de R$ 4 milhões divulgado publicamente, a Santa Casa esclarece que, até o presente momento, esses recursos não foram recebidos pela instituição”, afirma a nota.

A instituição também relacionou as dificuldades do serviço à situação financeira do contrato mantido para atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo o texto, os pagamentos continuam, mas não seriam suficientes para equilibrar os custos do hospital.

“Embora pagamentos estejam sendo realizados, permanece o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, situação que impacta a sustentabilidade da instituição e a manutenção de equipes, medicamentos, insumos e materiais”, declarou.

Entenda o caso - A suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas já havia sido mostrada pelo Campo Grande News no sábado (5). Na ocasião, a reportagem revelou que o serviço enfrentava falta de profissionais, além de dificuldades relacionadas à disponibilidade de UTI, medicamentos, equipamentos e outros materiais necessários para os procedimentos. A paralisação atingiu as operações programadas, enquanto os atendimentos de urgência continuaram.

Na quarta (9), a Sesau afirmou que a suspensão ainda não havia provocado impacto significativo na rede municipal e que pacientes continuavam a ser encaminhados pela regulação. O Conselho Municipal de Saúde, porém, informou que discutia alternativas para crianças que precisassem de cirurgia cardíaca.

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