Capital

Preso em operação da PF no ano passado volta a ser alvo por comércio de armas

Arthur Ricardo Coelho foi detido em flagrante em outubro de 2025 com revólver, munições e cartucho de fuzil

Por Clara Farias | 05/08/2026 17:51
Preso em operação da PF no ano passado volta a ser alvo por comércio de armas
Agentes do GPI (Grupo de Pronta Intervenção) da Polícia Federal durante cumprimento de mandado na Operação Arsenal Oculto, nesta quarta-feira (Foto: Divulgação)

Um dos quatro presos na Operação Arsenal Oculto, deflagrada pela PF (Polícia Federal) nesta quarta-feira (5), já havia sido detido durante a Operação Hereditas Damnare, realizada em outubro do ano passado e responsável por revelar a rede clandestina de comércio ilegal de armas em Mato Grosso do Sul. Arthur Ricardo Coelho, de 46 anos, foi preso em flagrante na época com um revólver, munições e um cartucho de fuzil e voltou a ser alvo da PF por suspeita de integrar o esquema investigado.  

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Além de Arthur, também tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos Sidney Tiago de Albuquerque Finco, Willyan de Oliveira Garcia e Lincon Worion Bezerra Maes. Ao todo, a operação mobilizou equipes para cumprir quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. 

As investigações que culminaram na Operação Arsenal Oculto começaram após a perícia em um telefone celular apreendido durante a Operação Hereditas Damnare. A análise do aparelho revelou conversas e outros elementos que apontavam para a existência de uma estrutura voltada ao comércio clandestino de armas de fogo e munições, responsável por captar armamentos, intermediar negociações e encontrar compradores.

No caso de Arthur, policiais federais cumpriam mandado de busca e apreensão em sua residência, no Bairro Vila Nova Campo Grande, em 2 de outubro de 2025, quando localizaram um revólver calibre .38 carregado com cinco munições, outras dez munições do mesmo calibre, um carregador de pistola calibre 9 milímetros com duas munições e um cartucho de fuzil de uso restrito.

Em depoimento à Polícia Federal na época, Arthur admitiu ser o proprietário do revólver e afirmou que comprou a arma de um caminhoneiro por R$ 2,2 mil para proteger a família, alegando que o bairro onde mora é violento. Sobre o carregador, as munições de 9 milímetros e o cartucho de fuzil, disse que os objetos haviam sido encontrados por funcionários do lava-jato de sua propriedade no interior de veículos de clientes e que foram levados para sua residência até que os donos aparecessem para buscá-los.

O Ministério Público denunciou Arthur por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e posse de munição de uso restrito. Apesar da prisão em flagrante, ele obteve liberdade provisória após audiência de custódia, mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o recolhimento domiciliar no período noturno. 

Posteriormente, ao analisar pedido de revogação da prisão preventiva no âmbito da Operação Hereditas Damnare, a Justiça Federal manteve Arthur preso. Na decisão, o juiz federal Felipe Alves Tavares destacou que conversas extraídas do celular de outro investigado apontavam, em tese, para a prática de comércio ilegal de armas envolvendo Arthur.

Munições de calibre .38 apreendidas durante operação deflagrada em outubro do ano passado (Foto: Reprodução/Autos)
Armas e munições apreendidas durante a operação nesta quarta-feira (Foto: Divulgação | PF)

O magistrado também considerou que depósitos bancários feitos por Allifer de Oliveira, condenado posteriormente por participação no esquema de tráfico investigado pela Hereditas Damnare, reforçavam os indícios de ligação entre Arthur e a organização criminosa. Para o juiz, também não era crível a versão de que as munições apreendidas em sua residência haviam sido encontradas em veículos de clientes do lava-jato e estavam guardadas apenas para eventual devolução.

Foi justamente a análise do aparelho celular apreendido durante a Hereditas Damnare que permitiu aos investigadores identificar a rede clandestina de comércio de armas e munições, dando origem à Operação Arsenal Oculto, deflagrada nesta quarta-feira.  

A reportagem procurou a defesa de Arthur Ricardo Coelho. O advogado informou que ainda está tomando conhecimento dos autos e, por isso, não se manifestaria neste momento. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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