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Prefeitura nega “desassistência” em UPAs após vistoria do CRM

Sesau afirma que o reabastecimento de medicamentos e insumos deve alcançar 90% até a próxima quinzena

Por Ana Paula Chuva | 10/12/2025 08:39
Prefeitura nega “desassistência” em UPAs após vistoria do CRM
Prateleiras de farmácia da UPA Universitário há 3 anos (Foto: Arquivo | Divulgação Prefeitura)

A Prefeitura de Campo Grande diz que não há desassistência nas Upas (Unidades de Pronto Atendimento). Em nota, nesta quarta-feira (10), a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) afirma que o reabastecimento de medicamentos e insumos este em andamento. 

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Equipe do CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) realizou vistorias nas unidades de urgência e emergência e divulgou nota manifestando “profunda preocupação” com a situação que classificou como risco para pacientes e profissionais. 

No entanto, a Sesau alega que o reabastecimento tem previsão de alcançar 90% do restabelecimento até a próxima quinzena. Além disso, pontuou que monitora permanentemente os estoques das unidades de saúde adotando medidas para reposição. 

“Como aceleração de licitações, reprogramação de itens desertos e acompanhamento rigoroso dos prazos de entrega, garantindo a regularização progressiva do fornecimento em toda a rede”, diz a nota. 

A nota também relata que o Comitê Gestor da Saúde ajuda a gestão com a revisão de contratos e reorganizando equipes, bem como com visitas técnicas contínuas e implantação de sistemas de controle como o e-SUS Farmácia. 

“O Município reforça que atua de forma técnica, responsável e contínua para assegurar o pleno funcionamento das unidades e a assistência à população”, finaliza a nota. 

Visitas - Segundo o CRM-MS, ao longo do último período foram feitas diversas fiscalizações, nas quais foi constatado baixo estoque e, em alguns casos, a completa ausência de remédios indispensáveis ao funcionamento dos plantões. Entre os insumos em falta estão luvas, lençóis, cânulas e outros materiais básicos para o atendimento seguro. 

A situação é agravada, de acordo com o Conselho, pelo decreto recente que suprimiu gratificações dos servidores da saúde, incluindo médicos da rede municipal. A medida, segundo a entidade, "fragiliza as condições de trabalho, desestimula a permanência de profissionais e compromete a qualidade da assistência oferecida à população".

O CRM-MS também destacou a ausência de um secretário municipal de Saúde nomeado desde o início de setembro, o que dificulta a responsabilização administrativa e a adoção de soluções estruturadas.

A nota do Conselho ainda destaca que a situação não é pontual e persiste há mais de um ano “e vem se agravando, gerando aumento de denúncias enviadas à entidade”, gerando risco de colapso na rede de urgência e emergência. 

 Denúncias recorrentes - As denúncias também foram relatadas por médicos da rede municipal ao Campo Grande News, em outubro. Eles confirmaram a falta de medicamentos, insumos e exames e relataram que a escassez é realidade há mais de um ano.

Profissionais que atuam nas UPAs receberam alertas sobre a falta de ceftriaxona, antibiótico fundamental no tratamento de infecções graves e decisivo para salvar vidas quando administrado rapidamente.

Além do antibiótico, unidades enfrentam falta de outros remédios e insumos, além de limitações em exames laboratoriais.

Um médico relatou que recomendaram encaminhar pacientes com suspeita de infarto, pancreatite ou insuficiência renal aguda para outros hospitais, devido à falta de exames necessários nas próprias UPAs.

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