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Por ordem judicial, MS fará cirurgia com polilaminina em paciente tetraplégico

Medicamento em fase de estudos é apontado como grande esperança para regenerar neurônios na medula espinhal

Por Cassia Modena | 13/01/2026 11:45
Por ordem judicial, MS fará cirurgia com polilaminina em paciente tetraplégico
Cirurgia será feita no Hospital Geral de Campo Grande (Foto: Arquivo)

Uma cirurgia com o uso da polilaminina, medicamento em fase de estudos que é promissor para devolver movimentos após lesões na medula, será realizada nesta quarta-feira (14) em Campo Grande. O experimento será inédito em Mato Grosso do Sul. O paciente é um militar. Ele ficou tetraplégico há cerca de dois meses.

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Como o medicamento ainda não tem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercialização, o homem teve que entrar com uma ação judicial para obter acesso autorizado ao tratamento experimental. 

A decisão liminar foi favorável para que a polilaminina fosse fornecida pelo laboratório Cristália, que atua em parceria com pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que desenvolveram a droga, liderados pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio. 

Frasco que contém solução injetável do medicamento (Foto: Divulgação/Laboratório Cristália)

A polilaminina será injetada na medula durante o procedimento. O local da cirurgia será o Hospital Militar de Área de Campo Grande.

Outros pacientes brasileiros já conseguiram o acesso por ordem judicial. Um exemplo é o do vidraceiro Diogo Barros Brollo, 35, que sofreu lesão medular total após cair de um prédio durante o trabalho, em Friburgo (RJ). 

Ele ficou paraplégico, perdendo movimentos e a sensibilidade da cintura para baixo. Conforme publicou a Folha de S. Paulo em 8 de janeiro deste ano, ele relatou ter conseguido mexer os pés uma semana depois da cirurgia.

Veja imagens de outra operação feita no Espírito Santo:


O que é?

A polilaminina tem como base uma proteína encontrada naturalmente no corpo e extraída da placenta, capaz de regenerar as células da medula, restabelecendo parcial ou totalmente a mobilidade dos pacientes que tiveram lesões.

Segundo o laboratório, os efeitos mais expressivos são observados quando a aplicação ocorre em até 24 horas após o trauma, mas há benefícios também em lesões antigas. O tratamento exige uma única dose e sessões de fisioterapia para reabilitação. 

O medicamento foi desenvolvido no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. O trabalho começou em 2007.

Na atual fase de estudos, a polilaminina será testada em cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos. Eles são portadores de lesões agudas completas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10, com indicação cirúrgica ocorrida em até 72 horas após a lesão.

De acordo com a professora Tatiana Sampaio, os locais da nova fase de estudos da polilaminina ainda não foram definidos. Ela estima que, após liberação da Anvisa, o
medicamento chegue ao mercado entre dois a três anos.

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