Patinete vira mão na roda para ir ao trabalho e resolver tarefas no almoço
Equipamento entrou na rotina de quem busca economizar tempo, sentir o vento no rosto e fugir de ônibus lotados
Seja para encurtar o caminho até o trabalho, resolver compromissos na hora do almoço ou aproveitar o vento no rosto, os patinetes elétricos viraram uma mão na roda para os moradores de Campo Grande. Desde que começaram a circular pela Capital, em 7 de julho deste ano, os equipamentos ganharam espaço na rotina de quem busca economizar tempo, fugir dos ônibus lotados ou simplesmente passear pela cidade.

RESUMO
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Desde que começaram a circular em Campo Grande, em 7 de julho, os patinetes elétricos passaram a fazer parte da rotina de moradores que buscam economizar tempo, evitar ônibus lotados ou passear. O pintor Eberson Antônio da Cruz estima gastar R$ 600 por mês no trajeto diário até o trabalho. Usuários pedem ampliação da área de circulação, hoje restrita. Uma segunda empresa, a Whoosh, foi autorizada em 2 de outubro a operar em caráter experimental.
O pintor Eberson Antônio da Cruz, de 42 anos, por exemplo, encontrou no patinete uma alternativa para chegar ao serviço. Morador do Bairro Santa Emília, ele pega ônibus até o Centro, desce nas proximidades da Praça Ary Coelho e segue sobre duas rodas até a Avenida Eduardo Elias Zahran, em frente à TV Morena, onde trabalha.
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Por volta das 7h30 desta segunda-feira (19), a reportagem encontrou Eberson na Avenida Afonso Pena, enquanto acionava o aplicativo para iniciar o percurso. Na ocasião, ele faria algumas paradas antes de chegar ao serviço. Primeiro, passaria pelo Camelódromo e depois pelo local de trabalho da mãe, ambos na região central.
Segundo o pintor, o trajeto entre o Centro e a Avenida Eduardo Elias Zahran leva cerca de 30 minutos. Com o uso diário do equipamento, na ida e na volta, ele calcula gastar aproximadamente R$ 600 por mês.
Mesmo com o custo, Eberson considera a opção mais confortável que o ônibus, principalmente nos horários de pico. “É uma mão na roda. Se pudesse, vinha do Santa Emília e voltava de patinete. A gente faz o percurso tomando vento. O ônibus é muito apertado e, dependendo do horário, nem para quando está muito cheio”, contou.
A estudante Evelyn Castro, de 30 anos, também gostaria de percorrer distâncias maiores. Moradora do Bairro Chácara Cachoeira, ela já experimentou o serviço para passear, mas pretende utilizá-lo como meio de transporte até a faculdade. Como estuda à noite na Uniderp, depende de ônibus ou transporte por aplicativo para chegar às aulas.
Segundo Evelyn, a área de circulação permitida impede que o patinete seja uma opção para esse deslocamento. “Às vezes, eu queria usar para ir à faculdade, mas não tem como. Quando você baixa o aplicativo, vê a área em que pode andar. Se tivesse uma área maior, poderia fazer trajetos mais longos e compensaria”, explicou.
A estudante, porém, reconhece que a restrição pode ajudar a evitar o uso indevido dos veículos. “A gente não pode confiar em todo mundo. Já pensou se alguém pega e leva para outro lugar, para uso próprio? Nessa parte, a empresa tem razão de limitar”, pontuou.
Para quem trabalha no Centro, os patinetes também servem para deslocamentos rápidos durante o expediente. O auxiliar de escritório Lorenzo Yan, de 18 anos, trabalha na Galeria Itamarati, na Rua 14 de Julho, e mora a apenas uma quadra dali. Como não precisa de transporte para chegar ao serviço, costuma utilizar o equipamento para passear, mas já aproveitou o horário de almoço para resolver uma pendência na região da prefeitura. “Eu uso mais para passeio, mas já cogitei usar para resolver alguma coisa mais longe, porque é rápido e fácil de usar”, afirmou.
Na avaliação de Lorenzo, a área de circulação disponível atende às suas necessidades, mas poderia ser ampliada futuramente. “Acho que, por enquanto, atende à demanda. Mais para frente seria legal aumentar o alcance”, comentou.
Na Praça Ary Coelho, um dos pontos onde os patinetes ficam disponíveis, o vendedor de ervas Paulo Fialho acompanha a movimentação. Há cerca de 30 anos trabalhando no local, ele observa que o maior fluxo de usuários ocorre nos horários de saída das escolas e do Instituto Mirim, principalmente entre adolescentes e jovens. “Daqui a pouco saem os meninos do colégio e do Mirim. É o horário que tem mais movimento”, relatou.
Paulo conta que o comércio na região central está fraco, mas ainda vê pessoas utilizando o serviço. Ele diz, no entanto, que não chegou a observar quantos usuários retiram ou devolvem os veículos diariamente.
O serviço também desperta a curiosidade de quem vem à Capital. O trabalhador rural Gabriel Rodrigues, de 26 anos, morador do distrito de Anhanduí, aproveitou uma consulta ao dentista no Centro para experimentar o patinete pela primeira vez.
Depois do atendimento, decidiu seguir até o Shopping Campo Grande. Quando conversou com a reportagem, havia acabado de baixar o aplicativo e colocado R$ 20 em créditos, valor que permitiria 40 minutos de uso. Para Gabriel, a rapidez e a possibilidade de escapar do trânsito tornam a experiência vantajosa. “Compensa, sim. É mais rápido, corta logo o trânsito”, afirmou.
Os patinetes elétricos começaram a operar em Campo Grande em 7 de julho de 2026. Quase três meses depois, em 2 de outubro, a Prefeitura autorizou uma segunda empresa, a Whoosh, a oferecer o serviço na Capital, também em caráter experimental.
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