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Operário morreu em obra de mercado 5 dias depois de aceitar vaga de emprego

Joel da Silva Oliveira, 41 anos, começou a trabalhar no local três dias antes do desabamento da estrutura

Por Ana Paula Chuva e Inez Nazira | 06/09/2026 08:42
Operário morreu em obra de mercado 5 dias depois de aceitar vaga de emprego
Joel aceitou emprego no domingo e morreu no desabamento sexta-feira (Foto: Direto das Ruas)

A tragédia no canteiro de obras do supermercado Mister Junior, no Aero Rancho, deixou consternados amigos e companheiros de fé de Joel da Silva Oliveira, de 41 anos, um dos mortos no desabamento da estrutura. O trabalhador havia acabado de conseguir um novo emprego e deixou duas filhas adolescentes. 

RESUMO

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Testemunhas e amigos conversaram com o Campo Grande News durante o velório do operário na manhã deste domingo (6) e apontaram falhas na segurança do local, especificamente a ausência de linha de vida para os trabalhadores. Os familiares de Joel optaram por não conversar com a imprensa.

Aposentado e amigo próximo da vítima, João Walter, de 48 anos, relatou que Joel era conhecido pela postura respeitosa e dedicação ao trabalho. "Ele era um menino que sofreu muito na trajetória da vida, mas que você não via fazer escândalo ou se meter em confusão. Mantinha muito o nome dele, era um exemplo", afirmou.

Segundo o aposentado, Joel havia acertado a contratação para a nova vaga no último domingo (30), logo após sair do culto. Devido às chuvas no início da semana, começou a trabalhar na tarde de terça-feira (1°). Na quinta-feira (3), passou na casa do amigo para tomar café e demonstrou entusiasmo com a oportunidade. Ele faria o acerto financeiro com a empresa anterior na sexta-feira (4).

“Ele estava todo animado. Ele tinha saído de uma empresa para entrar nessa. Deus chamou ele.  Ele era uma pessoa muito brincalhona, muito extrovertido. Era um exemplo”, afirmou o amigo de Joel. 

As duas filhas, de 14 e 16 anos, de Joel moram em São Paulo (SP) com a mãe. Elas optaram por não comparecer ao velório para preservar as memórias afetivas que tinham com o pai, assim como outros amigos do trabalhador.

João contou que amigo estava feliz com a nova oportunidade (Foto: Osmar Veiga)

João Walter questionou publicamente os órgãos de fiscalização sobre as condições do canteiro de obras, destacando a ausência de equipamentos de proteção adequados. "Questionei o CREA sobre a linha de vida, que não tinha na obra. Se tivesse, poderia ter salvado a vida dele e de todos os que se foram nessa tragédia. Só tinha a linha de apoio, que não adiantava nada", declarou.

O pastor Jessé Queiroz, de 39 anos, da igreja Assembleia de Deus Ministério do Jordão, reforçou o impacto da perda para a comunidade religiosa local. Amigo de Joel desde que chegou a Campo Grande, entre 2007 e 2008, o líder religioso destacou a trajetória do operário.

"Todo mundo que conviveu com ele no dia a dia sabe que era um cara de coração imenso. Deixou um legado grande na presença de todos os irmãos. O Joel esteve conosco praticamente desde o início, em 2009. Era um lutador e encerrou a carreira dele guardando a fé", disse o pastor.

Amigos na porta da capela onde aconteceu velório (Foto: Osmar Veiga)

Desabamento - O desabamento ocorreu na Avenida Rachel de Queiroz na tarde de sexta-feira (4). Uma câmera de segurança instalada na Rua Gruta do Maquiné registrou o momento em que a estrutura cedeu. Conforme as imagens, o colapso aconteceu às 14h07 e ocorreu em sequência, como um efeito dominó.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram mobilizadas para o resgate. Segundo o tenente Snayder Roberto Rodrigues, um dos trabalhadores retirados dos escombros apresentava fratura no fêmur. O outro estava consciente e orientado no momento do atendimento.

Após o acidente, a área foi isolada porque partes da estrutura ainda apresentavam risco de queda. O Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul) esteve no local para levantar documentos e verificar a regularidade dos registros relacionados à construção.

A Perícia Científica também realizou registros e levantamentos na obra para tentar identificar o que provocou o desabamento. Até o momento, a causa do acidente não foi informada.

O supermercado está sendo construído em um terreno de aproximadamente 1,5 mil metros quadrados. A reportagem não encontrou no local placas com informações sobre a construtora ou os responsáveis técnicos pela obra.

Investigação -  As causas do desabamento ainda são investigadas pela Polícia Civil, pela Perícia Científica e pelo Crea-MS.  De forma preliminar, o conselheiro Sidiclei Formagini apontou duas possibilidades principais: uma eventual falha no projeto ou problemas durante a montagem da estrutura pré-fabricada. 

Segundo ele, a etapa de montagem é considerada uma das mais críticas porque a estrutura ainda não está completamente travada e estabilizada. O conselho informou que, na fiscalização inicial, a documentação da obra estava regular, com empresa registrada e profissional habilitado como responsável técnico. Outros documentos ainda serão analisados pela Câmara de Engenharia Civil.

A perícia retornou ao local no sábado para continuar os levantamentos. O trabalho deve ajudar a esclarecer se houve falha no projeto, na execução ou na montagem da estrutura.


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