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Não era amor: Operação "Cilada" caça agressores de mulheres no Dia dos Namorados

Polícia saiu às ruas em dia "D" contra agressores e cumpriu 60 ordens para colocação de tornozeleira

Por Dayene Paz e Bruna Marques | 12/06/2025 12:04
Não era amor: Operação "Cilada" caça agressores de mulheres no Dia dos Namorados
Policiais durante cumprimento de mandados de operação. (Foto: Divulgação)

Por trás de jantares românticos e declarações apaixonadas, a dor silenciada de muitas mulheres ainda ecoa. Em pleno Dia dos Namorados, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande foi às ruas para dar voz a quem não consegue mais gritar. A “Operação Cilada” foi deflagrada nesta quarta-feira (12), com o objetivo de cumprir mandados relacionados a crimes de violência doméstica e familiar. 

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Foram 60 ordens judiciais para imposição de tornozeleiras eletrônicas e seis mandados de prisão apenas no chamado "Dia D" da operação. Desde segunda-feira (9), as equipes já estavam nas ruas, mas foi nesta quarta que a ofensiva ganhou força. A estratégia é clara: agilizar o cumprimento das ordens judiciais e evitar o acúmulo de medidas que, muitas vezes, podem significar a diferença entre a vida e a morte. 

Hoje, delegados da Especializada concederam informações acerca da operação em coletiva de imprensa. "Hoje, existem casais comemorando o amor, mas existem situações que não são consideradas amor. É uma data proposital. Que a mulher entenda o perigo de uma violência disfarçada de amor”, alertou a delegada Fernanda Piovano, titular da Deam. 

Piovano durante coletiva de imprensa. (Foto: Henrique Kawaminami)

Segundo ela, alguns dos alvos da operação não são imediatamente conduzidos. Primeiro, são notificados da obrigação de usar a tornozeleira eletrônica. Se desobedecerem ou resistirem ao cumprimento da medida, o pedido de prisão é feito. 

“A violência psicológica é o principal crime antecessor do feminicídio. Ela vem mascarada de zelo, de carinho, de cuidado excessivo. Mas, no fundo, é o homem tentando dominar a mente daquela mulher, diminuir quem ela é, até que ela deixe de se amar e não perceba mais que está vivendo uma violência”, explica Piovano. 

O silêncio que mata - O número assusta. A Deam registra cerca de 800 boletins de ocorrência por mês. São relatos que vão desde ameaças e agressões até perseguições e estupros. Um mar de histórias que não chegam ao noticiário, mas lotam os corredores da delegacia. As medidas cautelares expedidas pela especializada são tantas que, nas palavras da delegada, “beiram o absurdo”.

Delegados que concederam coletiva de imprensa na sede da Deam de Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)

A média de idade dos alvos da operação está entre 35 e 40 anos, um recorte que mostra que a violência doméstica não é um desvio adolescente, mas um padrão consolidado de comportamento. “Romper o silêncio é o primeiro passo. É isso que permite que a Deam aja, que a sociedade se mova, que vizinhos e amigos façam denúncias. Sem isso, o ciclo da violência continua”, reforça Piovano. 

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