Capital

MP abre inquérito para cobrar melhorias na Delegacia da Mulher de Campo Grande

Procedimento busca garantir atendimento mais eficiente e humanizado; caso Vanessa Ricarte expôs falhas

Por Gabi Cenciarelli | 29/08/2025 22:30
MP abre inquérito para cobrar melhorias na Delegacia da Mulher de Campo Grande
Fachada da delegacia com mulher aguardando atendimento (Foto: Arquivo/ Henrique Kawaminami)

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou um inquérito civil para avaliar e propor melhorias no funcionamento da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande. A iniciativa foi formalizada pelo Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), conforme edital publicado nesta sexta-feira (29).

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De acordo com o documento, o objetivo é adotar providências que promovam maior eficiência nos fluxos de atendimento da delegacia, especialmente na proteção de mulheres em situação de violência. O MP quer garantir que os serviços sigam padrões internacionais de proteção integral, ampliando a produtividade e a qualidade do acolhimento prestado. 

Entre as medidas previstas estão o aprimoramento do registro de boletins de ocorrência, a busca por um atendimento mais humanizado e a adoção de práticas que assegurem maior transparência e responsabilização das instituições envolvidas. O texto menciona ainda a necessidade de investigações eficazes e de um modelo de gestão com  governança adequada. 

O inquérito foi instaurado a pedido do Ministério Público e tem como órgãos requeridos a 1ª Deam e a Delegacia-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. O promotor de Justiça Douglas Oldegaard Cavalheiro dos Santos, coordenador do Gacep, é o responsável pelo procedimento. 

Vanessa Ricarte, vítima de feminicídio após procurar ajuda na delegacia (Foto: Redes Sociais)

A medida surge em um contexto de crescente preocupação com a violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. Em junho deste ano, a jornalista Vanessa Ricarte foi assassinada a tiros pelo ex-namorado, mesmo após ter procurado ajuda na Delegacia da Mulher. O caso, que gerou comoção em todo o Estado, expôs falhas na rede de proteção e reforçou o debate sobre a necessidade de respostas mais rápidas e eficazes no enfrentamento à violência de gênero.

Até o final de agosto deste ano, o Estado já registra 24 feminicídios consumados, conforme dados consolidados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e pelo Monitor da Violência Contra a Mulher.

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