Capital

Motoristas de ônibus param e terminais amanhecem vazios na Capital

Trabalhadores cruzam os braços por salários atrasados; frota está 100% parada e mais de 100 mil são afetados

Por Gabriel Neris, Dayene Paz e Maria Gabriela Arcanjo | 15/12/2025 05:48
Motoristas de ônibus param e terminais amanhecem vazios na Capital
Portão do Terminal General Osório fechado nesta manhã (Foto: Marcos Maluf)

Terminais e pontos de ônibus de Campo Grande amanheceram vazios nesta segunda-feira (14) com o início da greve geral dos motoristas do transporte coletivo. A paralisação foi deflagrada após o atraso no pagamento dos salários dos trabalhadores do Consórcio Guaicurus e afeta diretamente mais de 100 mil pessoas que dependem do transporte público na Capital.

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A decisão de cruzar os braços foi tomada na última quinta-feira (11), em assembleia que reuniu mais de 200 motoristas. A categoria cobra o pagamento integral dos salários, que deveriam ter sido depositados no dia 5 de dezembro, além de outros direitos em atraso.

Na tentativa de conter a paralisação, o Consórcio Guaicurus informou, no fim da tarde de sexta-feira (12), que efetuou o pagamento de 50% dos salários atrasados. O repasse parcial, no entanto, não foi suficiente para suspender a greve aprovada pelos trabalhadores.

Em uma das garagens do Consórcio Guaicurus, localizado nas Moreninhas, havia uma faixa avisando sobre a greve e policiamento reforçado. Cerca de 20 pessoas estavam no local. 

Faixa em portão de garagem na Moreninha avisa sobre greve (Foto: Dayene Paz)

Francisca Pereira, que trabalha na área de limpeza do Shopping Campo Grande, relatou que, como faz todos os dias, saiu cedo para pegar o ônibus na Rua Minas Novas, próximo à Rua Buinópolis, para entrar no trabalho às 7h. 

Ela contou que no dia anterior havia visto ônibus passando e, por isso, acreditou que no dia seguinte também teria, chegando a esperar cerca de vinte minutos a mais após uma amiga comentar que já estava aguardando há esse tempo. Sem o ônibus aparecer, decidiu voltar para casa e esperar uma orientação da supervisora, afirmando que só iria trabalhar se a empresa pagasse. 

Francisca aguardando o ônibus no ponto para ir ao trabalho (Foto: Dayene Paz)

José Ribeiro, de 48 anos, auxiliar de pedreiro, contou que estava em outro ponto da Rua Minas Novas quando foi avisado sobre a situação. Ele disse que a paralisação é justa, afirmando que há dinheiro para pagar, mas não pagam, e que, apesar de ser ruim para os trabalhadores, os responsáveis pela greve "estão de parabéns". José relatou que pensou que os salários já tivessem sido pagos e que, por isso, haveria ônibus, mas, diante do ocorrido, considera chamar um Uber e afirmou que irá conversar com o patrão antes, já que seguia para o Jardim Leblon. 

Roseli Gomes Soares, de 49 anos, costureira, foi vista descendo a Rua Santo Ângelo em direção ao Terminal General Osório. Ela contou que saiu de casa apenas para confirmar se a greve era realmente verdade, já que no dia anterior o esposo havia visto um vídeo do Consórcio Guaicurus informando que os ônibus iriam circular, com promessa de pagamento. Roseli explicou que costuma pegar o primeiro ônibus às 5h20 em um ponto do bairro Coronel Antonino e afirmou que não pretende gastar com Uber para ir ao trabalho, pois o custo do dia acabaria sendo dobrado. Segundo ela, a paralisação a afeta em tudo, já que as horas em que não consegue trabalhar acabam sendo descontadas.

Sônia aguardava o ônibus para ir ao shopping (Foto: Marcos Maluf)

Sonia Batista da Silva, de 59 anos, é encarregada de empresa e costuma pegar o primeiro ônibus no Terminal General Osório para ir ao trabalho. Segundo ela, a empresa já estava ciente da greve e, por isso, ofereceu transporte próprio, informando que um carro da empresa irá buscá-la às 5h30 na Avenida Mascarenhas, bem em frente ao terminal, medida que será adotada com todos os funcionários que dependem de ônibus.

"Teve só o repasse de 50% do salário atrasado na sexta-feira e a demanda dos representantes dos trabalhadores é pagamento integral do salário e do décimo, além do vale que também não foi cumprido pela empresa. Não saíram nem da garagem hoje. Já foi orientado e votado em assembleia que os trabalhadores não precisavam nem vir caso e não vieram mesmo", disse Wagner Freitas, apoiador da paralisação. 

O presidente do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande), Demétrio Freitas, reafirmou neste domingo (14) que a frota permanecerá totalmente parada. Segundo ele, o pagamento incompleto não altera a decisão da categoria.

“Caso sejam efetuados os pagamentos referentes ao mês de novembro, que já está em atraso, e também do 13º, segunda parcela, além do vale, na terça-feira o serviço volta ao normal. Caso contrário, o retorno dos ônibus fica condicionado ao pagamento desses vencimentos”, havia explica Demétrio ao Campo Grande News.

A paralisação impacta diretamente a rotina da classe trabalhadora, que usa o transporte coletivo para se deslocar até o trabalho. Dados do próprio Consórcio Guaicurus indicam que, em agosto do ano passado, a média mensal de passageiros transportados era de 3.248.211.

Já informações mais recentes da 32ª edição do perfil socioeconômico do município, divulgada pela Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) em agosto de 2025, com base em dados de 2023, apontam que o sistema registra média diária de 116.166 passageiros, em cerca de 72 mil quilômetros rodados por dia.

Mulher aguardava em ponto de ônibus na Av. Três Barras (Foto: Lucimar Couto)

Colaborou Mylena Fraiha

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