Capital

“Mataram por prazer”, diz irmã de homem que teve o rosto desfigurado em beco

Vítima foi espancada por grupo de pessoas com amigo socorrido em estado grave

Por Ana Paula Chuva e Inez Nazira | 09/08/2026 13:05
“Mataram por prazer”, diz irmã de homem que teve o rosto desfigurado em beco
Família de Gilmar no beco onde ele foi morto (Foto: Osmar Veiga)

A irmã do homem de 38 anos morto a pedradas na noite de ontem (8), em um beco no Bairro Tiradentes, em Campo Grande, e uma moradora que presenciou o ataque detalharam a violência com que a vítima foi agredida até a morte. O crime teria sido motivado por uma discussão banal envolvendo uma motocicleta.

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Conforme informações iniciais, os suspeitos usaram a moto da vítima e danificaram o veículo. Gilmar reclamou dos estragos, mas foi compreensivo e decidiu não cobrar o prejuízo. Apesar da postura pacífica, o grupo retornou ao local armado com pedras e iniciou o espancamento. Uma segunda vítima também foi agredida, sofreu traumatismo craniano e foi socorrida para a Santa Casa, sendo a única testemunha capaz de identificar os autores.

Sem se identificar, a irmã de Gilmar desabafou sobre a perda. Ela explicou que a família é de origem indígena, que o irmão morava na aldeia e que ele não tinha histórico de conflitos.

"Meu irmão é trabalhador, nunca foi de briga. Ele sempre gostou de todo mundo, conhecia todo mundo aqui. A gente mora aqui há muito tempo. O que fizeram com ele foi uma covardia. Mataram ele, não deram nem tempo de o guri pedir socorro. Foi uma vez e já era. Mataram por prazer, por prazer mesmo", relatou.

Pedaço de pano com sangue perto do local onde Gilmar foi morto (Foto: Osmar Veiga)

Abalada, ela cobra que os responsáveis sejam punidos. "Eu espero que essas pessoas paguem. Pode até falhar a Justiça da Terra, mas a Justiça de Deus não. A dor que eu estou sentindo é uma dor insuportável, que eu não desejo para ninguém. Eu só quero justiça pelo meu irmão. Ele não é de briga, nunca teve nada. Já chegaram aqui para matar. Se vocês tivessem visto a situação, iam falar que foi realmente por prazer de matar", completou.

Rotina de violência

Dona de uma conveniência na região e moradora do local há quase 40 anos, Aparecida Souza, de 68 anos, presenciou o início das agressões e tentou intervir verbalmente antes do desfecho fatal. Ela conta que viu entre quatro e cinco homens agredindo o morador com chutes e capacetadas para tirar a chave da moto.

"Eu cheguei ali e falei: 'Cara, sua vida vale mais que a moto. Vai embora'. O cara estava chorando, desesperado. Ele falou: 'Sim, para mim é verdade, tia. Você está certa'. Pegou a moto, saiu e desceu empurrando", disse Aparecida.

No entanto, os agressores perceberam a movimentação logo em seguida. "Daqui a pouco eu escutei quando eles voltaram e falaram: 'Ele está empurrando a moto, dá para nós pegar ele'. Então desceram correndo. Aqui é um beco, você passa e escuta tudo. Está um terror aqui, eu tenho medo, fico até tremendo de sair de casa", relatou a moradora, ressaltando que a violência na região se intensificou após a abertura do prolongamento da Avenida Dalva de Oliveira.

Comerciante relatou rotina de violência na região (Foto: Osmar Veiga)

Caso 

Segundo boletim de ocorrência, a equipe da PM (Polícia Militar) foi acionada  por volta das 3h20 inicialmente para atender a uma ocorrência de lesão corporal. Ao chegar ao local, encontrou Gilmar caído no solo com a face ensanguentada e gravemente deformada por conta das agressões. O óbito foi constatado ainda no beco por um médico do Corpo de Bombeiros. A Perícia Técnica esteve na cena do crime para recolher vestígios.

Um outro homem que estava com Gilmar quando o ataque começou e também foi agredido, no entanto, mesmo ferido, conseguiu escapar do beco e pedir ajuda a moradores nas proximidades. Outra equipe da Polícia Militar prestou os primeiros socorros e o encaminhou em estado grave para a Santa Casa.

O caso foi registrado como homicídio simples e homicídio simples na forma tentada. A Polícia Civil e a perícia seguem com as investigações para determinar a dinâmica exata dos fatos, esclarecer a motivação e identificar os autores das agressões.

Corpo de Gilmar no beco na manhã deste domingo (Foto: Direto das Ruas)


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