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Influencer é investigada por tentar extorquir até mãe de criança com deficiência

Inquérito aponta cobrança de R$ 5 mil de "cliente" e exposição de delegado nas redes

Por Gabi Cenciarelli | 01/02/2026 13:17
Influencer é investigada por tentar extorquir até mãe de criança com deficiência
Post onde ela publicava o nome do delegado que fez o atendimento da "cliente" (Foto: Divulgação)

Enquanto segue presa preventivamente por descumprimento de medida protetiva em um conflito familiar, a influenciadora digital Daniele Santana Gomes, conhecida como “Coach Irônica” e apelidada pela investigação de “pistoleira digital”, também é investigada em outro inquérito policial que apura a tentativa de extorsão de uma seguidora, mãe de uma criança com deficiência. Segundo a Polícia Civil, a influenciadora teria oferecido um suposto serviço jurídico, mesmo sem ter habilitação legal, que acabou resultando em exposição e difamação de um delegado nas redes sociais.

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Esse novo desdobramento ocorre paralelamente ao processo que mantém Daniele presa após audiência de custódia realizada neste domingo (1), decisão da 4ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. O inquérito sobre a seguidora trata de fatos distintos, ocorridos entre setembro e outubro de 2025, e foi instaurado na 1ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

De acordo com a investigação, o contato entre Daniele e a mulher começou pelas redes sociais, quando a seguidora relatou dificuldades enfrentadas em uma disputa judicial com o ex-marido, envolvendo pensão alimentícia e despesas médicas do filho com deficiência. Nas mensagens trocadas entre as duas, juntadas aos autos, Daniele passa a orientar a mulher e, em determinado momento, deixa claro que costuma cobrar por esse tipo de auxílio.

Daniele presa após descumprir medidas protetivas (Foto: Direto das Ruas)

Nas conversas juntadas aos autos, Daniele deixa claro que costuma cobrar por esse tipo de auxílio e menciona valores elevados pelo suposto serviço jurídico. Em uma das mensagens, afirma: “Bruna, eu geralmente cobro qualquer auxílio desse tipo, mas você já está pagando. Isso que é f..., e você já está desamparada. Geralmente cobro e atuo com o advogado, é caro, R$ 5 mil. Nessa situação fica inviável.”

Na sequência, a influenciadora propõe uma alternativa de pagamento para continuar acompanhando o caso: “Se quiser que eu acompanhe de perto, mas sem vc falar nada pra adv, pq aí vou ir atrás disso etc, eu posso ver de fazer a 500, que é 10% do valor total que cobro, e aí vc paga como ficar melhor pra vc.”

As mensagens mostram que, mesmo diante da cobrança, a seguidora relata dificuldades financeiras e gastos com o tratamento do filho com deficiência. Em resposta, ela escreve: “Não vou conseguir enviar o pagamento, estou aqui na farmácia comprando medicamentos com o dinheiro que eu tinha e também estou juntando dinheiro na vaquinha do meu filho para conseguir o que ele precisa.”

Na mesma conversa, a mulher afirma que continuaria com a representação jurídica já constituída: “Vou seguindo com as advogadas que eu tenho no momento.”

Segundo a Polícia Civil, não houve assinatura de contrato, nem outorga de procuração, e a seguidora afirmou em depoimento que não autorizou Daniele a agir em seu nome, destacando que sua única advogada constituída é profissional regularmente inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil.

Mesmo sem o pagamento, a investigação aponta que Daniele passou a atuar como se fosse advogada da seguidora. Após a mulher procurar uma delegacia para tentar registrar boletim de ocorrência por falsidade ideológica contra o ex-marido, o delegado responsável analisou o caso e entendeu que não havia indícios de crime, orientando que a questão fosse tratada no âmbito judicial.

A negativa deu início a uma nova escalada do episódio. Conforme apurado, Daniele passou a orientar e incentivar publicações nas redes sociais, além de divulgar vídeos se apresentando como defesa da mulher e atribuir ao delegado a prática de crime, sugerindo favorecimento indevido. As acusações motivaram a instauração de inquérito por calúnia e difamação contra funcionário público, com agravante pelo uso das redes sociais.

Para a Polícia Civil, as mensagens mostram que a influenciadora não realizou qualquer atuação legal ao oferecer o suposto serviço jurídico à seguidora. Em vez disso, ela expôs o delegado publicamente, atacou-o e o difamou, além de ter tentado obter vantagem financeira, mesmo sem receber o pagamento.

Presa - A prisão de Daniele Santana Gomes foi decretada na última sexta-feira (30) após a Justiça entender que ela descumpriu de forma reiterada as medidas protetivas impostas em favor da sogra e da cunhada, mantendo publicações ofensivas e ataques virtuais mesmo depois de expressa proibição judicial. Para o juiz Marcus Abreu de Magalhães, a continuidade das agressões digitais demonstrou desprezo às ordens do Judiciário e risco à integridade psicológica das vítimas, o que justificou a prisão preventiva por tempo indeterminado, com base na Lei Maria da Penha. 

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