Capital

Imigrantes paquistaneses trocam o críquete pelo futebol e torcem pelo Brasil

Com a bandeira verde e amarela a postos, grupo acredita na vitória sobre o Haiti

Por Lucia Morel e Mylena Fraiha | 19/06/2026 21:10
Imigrantes paquistaneses trocam o críquete pelo futebol e torcem pelo Brasil
Familiares paquistaneses reunidos em frente ao mercado Sarah. (Foto: Juliano Almeida)

A paixão pelo críquete, esporte mais popular do Paquistão, ficou de lado quando um grupo familiar de imigrantes paquistaneses se reuniu em frente ao mercado Sarah, perto de onde moram, no Centro, para torcer pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo nesta noite. Com a bandeira verde e amarela a postos, eles confiam na vitória sobre o Haiti.

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Para quem cresceu no Paquistão, o críquete é paixão nacional, especialmente entre os mais jovens. A estudante Afsa Bibi, de apenas 11 anos, fez questão de conversar com a reportagem e chegou ao Brasil há um ano e afirma que o futebol era um ilustre desconhecido em sua terra natal. "Lá não gostavam muito de futebol. O pessoal gostava mais de críquete", conta Afsa.

Mas o Brasil mudou isso rapidamente. Hoje, a paixão pelo futebol é tanta que ela e a família não hesitaram em arrastar um sofá para a calçada, debaixo de uma lona para se proteger da chuva, em frente à loja, para assistir à partida com conforto. "Sim, colocamos aqui fora porque gostamos muito de futebol", diz a estudante, maravilhada com o clima da Copa e com a acolhida que recebeu na escola e na cidade.

O comerciante Zafar Ali, de 37 anos, que trabalha com a venda de importados e vive em solo brasileiro há 11 anos, sintetiza a mudança de rotina e de sentimento: hoje ele "só vê futebol". 

O empresário Ijaz Ali, de 29 anos, que divide sua identidade entre o Paquistão e o Brasil após seis anos morando em Campo Grande, relata que já viajou por quase 45 países, mas nunca encontrou um lugar como este.

"O Brasil é muito importante para mim porque aqui tem respeito. Em nenhum lugar as pessoas tratam todo mundo da mesma forma como aqui. Quando você vai para outros países, primeiro você é estrangeiro. Aqui tem muito respeito. Eu gosto muito disso", desabafa Ijaz, elogiando também as políticas públicas que facilitam o emprego e a documentação de imigrantes.

A bandeira do Brasil em destaque em meio à torcida paquistanesa. (Foto: Juliano Almeida)

Quando questionado se dividiria o coração caso o Paquistão se classificasse para a próxima Copa do Mundo, Ijaz não hesita e responde com o orgulho de quem já fincou raízes profundas: "Não. Eu torço para o Brasil. Já sou brasileiro."

Amor pelo Brasil - Ijaz já conseguiu trazer metade de seus familiares e planeja buscar o restante. Zafar Ali compartilha do mesmo plano e resume o sentimento de uma comunidade que mudou de pátria, de esporte e de torcida, mas que encontrou no Brasil o seu verdadeiro lar:

"Eu gosto do Brasil. O Brasil é a minha vida. Eu quero ficar sempre aqui. Minha família também quer estar aqui. Estamos apenas esperando arrumar os documentos para trazer toda a família para cá. O coração é brasileiro. Eu te amo, Brasil!".

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