Capital

Homem que matou 3 pessoas em incêndio é condenado a 67 anos após década foragido

Réu foi preso em Maracaju no ano passado e júri reconheceu triplo homicídio por ciúmes no Jardim Colúmbia

Por Gabi Cenciarelli | 20/05/2026 15:48
Homem que matou 3 pessoas em incêndio é condenado a 67 anos após década foragido
Adriano Ribeiro Espinosa durante juri (Foto: Gabi Cenciarelli)

Adriano Ribeiro Espinosa, de 38 anos, foi condenado a 67 anos de prisão pelo incêndio criminoso que matou três pessoas e deixou uma mulher gravemente ferida no Jardim Colúmbia, em Campo Grande, em outubro de 2014. O julgamento aconteceu nesta terça-feira (20), na 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. 

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O Conselho de Sentença condenou Adriano por 3 homicídios qualificados consumados, 1 tentativa de homicídio qualificado e corrupção de adolescente. Já o crime de incêndio em casa habitada acabou absorvido pelos homicídios, tese aceita tanto pela acusação quanto pela defesa.

A pena foi fixada em 67 anos de reclusão, em regime fechado. O juiz Aluizio Pereira dos Santos também determinou o cumprimento imediato da pena e manteve a prisão preventiva do condenado. 

Local onde aconteceu o crime, em 2014. (Foto: Marcos Ermínio)

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que Adriano agiu por ciúmes da então companheira, Edna Rodrigues de Souza, ao encontrá-la bebendo com amigos na casa onde ocorreu o incêndio. Segundo a denúncia, ele arquitetou o crime com ajuda do adolescente Sérgio Torres de Oliveira, que tinha 16 anos na época. 

Conforme os autos, na noite de 13 de outubro de 2014, Adriano e o adolescente compraram álcool e atearam fogo na residência da Rua Uruanã, no Jardim Colúmbia, enquanto quatro pessoas estavam dentro do imóvel. 

Morreram no incêndio Lucinda Ferreira Torres, de 41 anos, Daniel Candia, de 38, e Hélio Queiroz Neres, de 37 anos. Edna Rodrigues de Souza sobreviveu após passar mais de 40 dias internada. 

Casa foi destruída por incêndio que matou duas pessoas no Jardim Colúmbia, na noite de segunda-feira. (Foto: Marcelo Calazans)

Segundo o processo, o fogo foi colocado de forma sorrateira, enquanto as vítimas confraternizavam e consumiam bebida alcoólica dentro da residência. O imóvel tinha grades nas janelas e a porta estava trancada, o que dificultou a fuga. 

Na sentença, o juiz destacou a “intensa vontade de matar” demonstrada pelo réu e afirmou que as vítimas sofreram de forma extrema ao tentarem escapar das chamas. “As vítimas lutaram por suas vidas enquanto estavam sendo queimadas dentro da residência”, diz trecho da decisão. 

O magistrado também ressaltou que Adriano permaneceu foragido por aproximadamente dez anos, até ser preso em março de 2025, em Maracaju, cidade a 159 quilômetros de Campo Grande. 

Adriano, que foi preso pelo triplo homicídio, em 2025 (Foto: Arquivo | Campo Grande News)

Durante o júri, a defesa sustentou negativa de autoria, pediu o afastamento das qualificadoras e alegou atipicidade no crime de corrupção de adolescente. Os jurados, porém, acolheram a versão apresentada pelo Ministério Público.

Na dosimetria da pena, o juiz fixou 18 anos de prisão para cada um dos homicídios consumados e 12 anos pela tentativa de homicídio contra Edna. Com a soma das penas e o crime de corrupção de adolescente, a condenação chegou aos 67 anos de prisão.

O magistrado ainda citou que, caso o crime fosse julgado atualmente, a tentativa contra Edna poderia ser enquadrada como tentativa de feminicídio, em razão do contexto de violência doméstica. 

O caso chocou Campo Grande em 2014. Na época, Lucinda havia expulsado o filho adolescente de casa após conflitos familiares. Horas depois, o rapaz se encontrou com Adriano em um bar da região e os dois passaram a discutir como colocariam fogo na residência. Uma testemunha ouviu a conversa e, mais tarde, ajudou a polícia nas investigações.

Imagens de câmera de segurança mostraram o adolescente chegando de bicicleta a um posto de combustíveis para comprar gasolina em um galão. Depois, ele seguiu até a casa acompanhado de Adriano. Conforme a investigação, o adolescente espalhou o combustível enquanto Adriano riscou o fósforo e iniciou o incêndio.

As vítimas tentaram escapar desesperadamente, mas ficaram presas dentro do imóvel. A casa tinha grades nas janelas e a porta estava trancada. Uma testemunha chegou a arrombar a entrada com um machado para tentar salvar o grupo. Lucinda morreu ainda no local. Hélio e Daniel chegaram a ser socorridos para a Santa Casa, mas não resistiram aos ferimentos. Edna foi a única sobrevivente do incêndio.

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