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Filas de espera em agências geram ação de R$ 10 milhões contra Banco do Brasil

Processo é resultado de inquérito civil aberto em 2019, em que espera de mais de 1h foi constatada

Por Silvia Frias | 27/02/2025 11:23
Filas de espera em agências geram ação de R$ 10 milhões contra Banco do Brasil
Agência do Banco do Brasil, na Avenida Afonso Pena, foi alvo das reclamações (Foto: Marcos Maluf)

As filas do pré-atendimento e a espera superior a uma hora levaram o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) a converter inquérito em ação civil pública contra o Banco do Brasil, exigindo o pagamento de R$ 10 milhões por danos materiais e coletivos e, pelo menos, R$ 10 mil por dano moral individual.

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A ação foi protocolada no dia 24 de fevereiro, ainda sob análise na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, que ainda não notificou o Banco do Brasil ou deu qualquer andamento.

O inquérito, que agora resultou em ação, foi aberto inicialmente em junho de 2019, pela 25ª Promotoria de Justiça, que tinha como objetivo apurar “eventual desrespeito à decisão judicial e configuração de dano moral coletivo pela demora no atendimento das filas do Banco do Brasil”.

Isso porque, em 2006, ação protocolada pela Agência Brasileira de Defesa de Direitos e Promoção de Justiça conseguiu sentença favorável, condenando o Banco do Brasil e outras 14 instituições bancárias a não excederem o tempo determinado de espera dos clientes em 15 minutos para dias normais e 20 minutos em dias de pagamento ao funcionalismo público, vencimento de contas de concessionárias, recebimento de tributos ou véspera de feriados prolongados.

Documento mostra tempo de espera em um das vistorias feitas pelo Procon (Foto/Reprodução)

Em junho de 2021, o Procon fez vistoria nas agências do Banco do Brasil na Avenida Afonso Pena e na Rua Maracaju para averiguar o atendimento. Na agência da avenida, a equipe constatou que os clientes passam por pré-atendimento para pegar uma senha e, somente aí, sobem para o andar determinado para o atendimento. Algumas senhas mostram espera superior a 1h, conforme fotos anexadas na ação. 

Na Rua Maracaju, segundo pesquisa, “notou-se uma extensa fila em frente ao banco, com pessoas aglomeradas, sem distanciamento e com apenas um segurança para orientar”. O levantamento foi feito durante o período de regramento por conta da pandemia de covid-19, em que se exigia o uso de máscaras e distanciamento. 

“(...) restou comprovado de maneira inequívoca o descumprimento habitual e não esporádico quanto à espera para atendimento na instituição financeira, demonstrando tanto a má prestação do serviço bancário consistente na demora no atendimento (...)”, avaliou o promotor Antônio André David Medeiros.

Fiscalização realizada pelo Procon em 2021 (Foto/Reprodução)

Na ação, o promotor diz que a instituição havia prestado informações, alegando que disponibiliza canais alternativos, não havendo necessidade de o cliente estar no local físico. O pré-atendimento, segundo o banco, tem finalidade de agilizar as demandas. 

Porém, Medeiros avalia que muitos consumidores não têm facilidade de acessar as tecnologias disponíveis e, por isso, a instituição não pode “furtar-se da responsabilidade ao atendimento efetivo de tais pessoas”, devendo ter espaço físico para auxílio célere ao consumidor.

Pelos danos materiais e coletivos, o MPMS pede pagamento de indenização de R$ 10 milhões, para que não haja a mesma conduta novamente. Além disso, há “lesão da confiança depositada pelos consumidores”.

Do dano moral individual, foi estabelecido que o valor não seja inferior a R$ 10 mil, pelos “atos abusivos e arbitrários perpetrados pela empresa requerida”.

Em nota, a assessoria do Banco do Brasil informou que não comenta processos judiciais em andamento. "O BB preza pela qualidade do atendimento, sendo um dos bancos com menor número de reclamações e melhor avaliação junto aos clientes".

Também informou que o banco conta com diversos canais para seus clientes, como App, Internet Banking, Central de Relacionamento, pelos telefones 4001-0001 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 729 0001 (demais localidades).

Fila e aglomeração em 2020, em tempos de regras de distanciamento impostas pela covid-19 (Foto/Arquivo/Marcos Maluf)

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#matéria atualizada dia 28 de fevereiro para acréscimo da nota do Banco do Brasil.

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