Capital

Excesso de velocidade vira rotina em rua onde troncos protegem idosa

Moradores do Estrela do Sul cobram quebra-molas em cruzamento onde acidentes são frequentes

Por Jéssica Fernandes e Geniffer Valeriano | 08/07/2025 16:26
Excesso de velocidade vira rotina em rua onde troncos protegem idosa
Moradora instalou troncos de árvore para evitar acidentes por excesso de velocidade. (Foto: Paulo Francis)

Os troncos de árvores cravados na calçada em frente à casa de uma moradora do Bairro Estrela do Sul denunciam um problema antigo na Rua Francisco José Abrão. Há cerca de cinco anos, um carro invadiu a garagem de Diva Aparecida, de 80 anos, e a solução encontrada pela aposentada foi improvisar uma barreira para evitar novos acidentes, já que os veículos continuam trafegando em alta velocidade pela via.

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A casa dela fica próxima ao cruzamento com a Rua Cavaleiro da Rosa e Simão Bocanegra, ponto considerado crítico por ela e outros moradores que veem como única solução para coibir motoristas e motociclistas apressados a instalação de um quebra-molas ou de um semáforo.

Diva relembra como foi o acidente que causou prejuízo no imóvel e a levou a optar pelos troncos de árvore na entrada de casa. “O rapaz veio muito correndo ali e, não sei, acho que ele perdeu o controle. Era de madrugada, acho que ele estava bêbado também. O rapaz quando virou, ele entrou aqui e foi parar na minha garagem”, conta.

Diva opina que redutor de velocidade traria segurança, principalmente para crianças. (Foto: Paulo Francis)

Segundo a moradora, os motociclistas são os que mais trafegam em alta velocidade na Rua Francisco José Abrão. Para ela, qualquer dispositivo que ajudasse na redução da velocidade viria a proteger as crianças do bairro. “Passa muita criança. De manhã cedo, por exemplo, para a escola. Essas coisas são boas para as crianças”, enfatiza.

Paulo Prado, de 52 anos, é mais um que ficou no prejuízo mais de uma vez devido à velocidade excessiva. Primeiro foi o portão de casa e depois seu próprio carro, que estava estacionado na rua. “O pessoal vive em alta, sempre. E bêbado. Outro dia bateu no carro que estava aqui, estacionado. Eu tinha acabado de tirar meu carro. No sábado o cara veio bêbado e acertou o carro que estava do lado. Antes de eu colocar esse portão, bateram aqui também. É frequente”, desabafa.

A reportagem esteve no local na tarde desta terça-feira (8), onde verificou que existem placas de pare e sinalização no local, porém essas medidas, segundo os relatos da vizinhança, não bastam.

Paulo conta que já bateram no portão de casa e no carro que deixou estacionado. (Foto: Paulo Francis)

O músico dá um exemplo de acidentes que fazem parte da rotina do bairro. “Eu estou aqui há dez anos e sempre passaram em alta. Essa semana a menina precisou parar para virar a rua, a menina parou e bateram atrás dela”, afirma.

Se o período diurno não intimida, à noite a situação se agrava. “A verdade é que deveria botar um cabra-mola aqui. Porque aí sim reduziria. Essa quadra, à noite, o pessoal sobe correndo feito louco”, completa o morador.

Atania Alves, de 53 anos, comenta que poucos condutores respeitam o pare, dando passagem para quem precisa atravessar. “Isso aqui é um perigo. Daqui para lá tem o pare, mas ninguém para”, declara. Para ela, só um semáforo resolveria o assunto. “Eu acho que um semáforo seria ótimo porque o pare não adianta”, conclui.

Cruzamento no Bairro (Foto: Paulo Francis)

A reportagem procurou a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) sobre o caso, questionando se a agência tem conhecimento dessa demanda, se há previsão de estudo técnico para o local ou a possibilidade de instalação de redutor de velocidade para atender a solicitação dos moradores, porém não obteve retorno até o fechamento desta matéria. 

Em resposta, a Agetran informou que  incluirá na programação a visita de uma equipe técnica ao local mencionado. Na ocasião, será feito um levantamento detalhado e estudos técnicos, visando a implantação de sinalização necessária e adequada para melhorar a segurança e a organização do tráfego na região. 

"A Agetran reforça a importância da colaboração da população para identificar demandas relacionadas à infraestrutura e fiscalização no trânsito. Os cidadãos podem entrar em contato com a Prefeitura pelo telefone 156 ou pelo App Fala Campo Grande, garantindo uma resposta ágil e eficiente", diz a nota.

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