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Enfermeira foi presa por esconder 1.294 ampolas vencidas em clínica emagrecedora

Funcionária de 39 anos teve queda de pressão antes de depoimento e está em UPA

Por Gustavo Bonotto | 14/05/2026 18:17
Enfermeira foi presa por esconder 1.294 ampolas vencidas em clínica emagrecedora
O delegado Wilton Vilas Boas, da Decon, durante coletiva à imprensa. (Foto: Paulo Francis)

A Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo) afirmou nesta quinta-feira (14) que a prisão de uma funcionária da Clínica Canela, em Campo Grande, ocorreu após a identificação de medicamentos vencidos armazenados de forma irregular em um depósito da unidade. A polícia também apura se medicamentos de outras procedências eram vendidos como Monjauro, além de suspeita de venda casada e possível falha em controle de produtos utilizados em tratamentos.

RESUMO

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Durante coletiva de imprensa, o delegado Wilton Vilas Boas relatou que a equipe encontrou 1.294 frascos de medicamentos fora da validade misturados a outros itens dentro de um depósito da clínica. Segundo ele, a funcionária responsável pelo local, de 39 anos, tentou impedir o acesso dos agentes ao espaço.

“Ela obstruiu a fiscalização com informação falsa de que ali não haveria medicação, apenas objetos pessoais do responsável da clínica”, afirmou.

Medicamentos vencidos encontrados na clínica. (Foto: Kamilla Alcantara)

O delegado explicou que a versão apresentada pela funcionária não se confirmou durante a vistoria. Ele disse que a área deveria ter separação clara entre produtos válidos e itens destinados ao descarte.

“Esses produtos impróprios estavam com prazo de validade vencido e não havia segregação para descarte. Teria que existir identificação de produtos a serem descartados”, disse.

Segundo Vilas Boas, o simples armazenamento de medicamentos vencidos já configura crime, independentemente de uso em pacientes. Ele afirmou que a investigação ainda busca confirmar o destino dos produtos encontrados.

“Não temos como comprovar neste momento se foram aplicados. Mas o simples depósito irregular já caracteriza o crime”, afirmou.

A funcionária foi detida em flagrante e encaminhada para atendimento médico em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), conforme informado na coletiva. Ela não prestou depoimento no local e responde pelo caso na medida da sua participação.

O delegado afirmou que o responsável pela clínica não foi preso por não estar presente durante a fiscalização, mas também será investigado.

“O responsável vai responder pelo mesmo crime na medida da sua participação”, disse.

A investigação começou após denúncia de um laboratório fabricante de um dos medicamentos, que identificou ausência de registro de compra da clínica em seu sistema. Segundo a polícia, essa inconsistência motivou a apuração sobre possível origem irregular dos produtos.

“Esse laboratório não identificou cadastro de compra. Isso levantou a suspeita de irregularidade na origem dos medicamentos”, afirmou.

A Decon também apura suspeita de venda casada e eventual irregularidade em propaganda e prescrição de tratamentos. O delegado informou que a clínica terá prazo para apresentar documentos e prontuários de pacientes.

“Vamos dar um prazo de dez dias para a clínica apresentar quem seriam esses pacientes e como ocorreu a prescrição”, disse.

A Clínica Canela segue em funcionamento e não foi interditada. Os órgãos de fiscalização devem conduzir processos administrativos paralelos ao inquérito criminal.

Centenas de medicamentos aprrendidos durante a fiscalização

Entenda - Os medicamentos foram localizados em uma sala separada da clínica, na Rua Joaquim Murtinho. Segundo a polícia, a equipe afirmou que o espaço seria utilizado como depósito e também para armazenamento de objetos de funcionários.

Inicialmente foram encontrados 484 frascos de medicamentos vencidos mas, conforme a Delegacia, a contagem oficial totalizou 1.294 unidades de medicamentos vencidos. A denúncia foi feita por um laboratório que produz o medicamento autorizado.

A operação foi realizada por equipes do Procon, Vigilância Sanitária, Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo) e CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul), após denúncia encaminhada à Vigilância Sanitária.

Em vídeo publicado e depois excluído das redes sociais, Jonathas Canela negou falhas, contestou a interpretação das denúncias e disse que a unidade já recebeu outras fiscalizações no mesmo ano em vídeo publicado e depois excluído das redes sociais.

Em nota oficial, a assessoria de comunicação da Clínica Canela informou que colabora integralmente com os órgãos fiscalizadores e apresenta documentos, registros técnicos e esclarecimentos durante o procedimento ainda em andamento. A instituição afirmou respeitar a atuação das autoridades e disse que conclusões antes da análise final seriam precipitadas.

A clínica negou fabricar, manipular, rotular ou comercializar medicamentos de forma irregular. Também afirmou que não condiciona atendimento ou continuidade terapêutica à compra de produtos e disse que o paciente pode adquirir medicamentos em qualquer estabelecimento.

Sobre os itens vencidos encontrados em depósito, a instituição informou que abriu apuração interna e revisa protocolos de armazenamento, conferência e descarte. A clínica afirmou que a presença desses materiais não indica uso em pacientes e disse que apresentará registros às autoridades.

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