Capital

Em júri, famílias se dividem entre defender e acusar réu por feminicídio

Conselho de Sentença é formado so por mulheres, que decidirão se atropelamento foi intencional ou acidental

Por Viviane Oliveira e Bruna Marques | 05/08/2026 09:40
Em júri, famílias se dividem entre defender e acusar réu por feminicídio
Willames Monteiro dos Santos antes do início do julgamento desta quarta-feira (Foto: Juliano Almeida)

Separadas por uma fileira de cadeiras, as famílias de Andressa Fernandes Teixeira e de Willames Monteiro dos Santos acompanham, na manhã desta quarta-feira (5), o início do julgamento do acusado de matar a esposa no dia 20 de abril de 2024, no Bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande. 

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No plenário do Tribunal do Júri, estavam a mãe, dois tios e uma prima da vítima. Já a família do réu compareceu em maior número, com cerca de 15 pessoas, entre pais, irmãos, cunhados e amigos. Após o sorteio e as recusas previstas em lei, o Conselho de Sentença foi formado por sete mulheres.

Willames responde por feminicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ele atropelou intencionalmente a esposa duas vezes após uma discussão em frente à casa onde moravam, na presença dos dois filhos do casal. A defesa sustenta que o atropelamento foi um acidente e o acusado tentou prestar socorro.

Rosângela Fernandes, mãe de Andressa, acompanha o julgamento. (Foto: Juliano Almeida)

Antes do início da sessão, a aposentada Rosângela Fernandes, de 57 anos, mãe de Andressa, disse em entrevista esperar a condenação do réu. "Todo mundo sabe que inocente ele não é. Ele sabia muito bem o que estava fazendo. Fez por maldade", afirmou.

Rosângela contou que, após a morte da filha, soube da existência de registros na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Atualmente, ela é responsável pelos dois netos, filhos do casal, que presenciaram o atropelamento.

Segundo a aposentada, a neta, hoje com 14 anos, foi arrolada como testemunha de acusação e vai prestar depoimento durante o julgamento. Ela comentou que o menino, de cinco anos, ainda sente a ausência da mãe. "Todo dia ele dá bom-dia e boa-noite para a foto dela", relatou.

Ela também lembrou que Willames chegou a ser colocado em liberdade no dia do velório de Andressa e voltou a ser preso dias depois.

Sandro Monteiro, irmão do réu, acompanha o julgamento. (Foto: Juliano Almeida)

O empresário Sandro Monteiro, de 40 anos, irmão do acusado, afirmou acreditar na inocência de Willames e disse que a morte de Andressa foi uma fatalidade. "Meu irmão é trabalhador. A perícia mostrou que foi um acidente. Ele jamais passaria por cima da própria esposa de propósito", declarou.

Sandro afirmou que Andressa era considerada integrante da família e contestou as alegações de violência doméstica. Segundo ele, um dos atendimentos policiais citados pela acusação ocorreu após uma denúncia relacionada ao som automotivo do veículo do irmão, e não por agressão. 

Familiares da vítima ocupam as primeiras fileiras; parentes do réu acompanham o julgamento mais ao fundo (Foto: Juliano Almeida

Durante a leitura da denúncia, conduzida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, o réu permaneceu de cabeça baixa. 

Conforme a investigação da Polícia Civil, Willames estava embriagado no momento do crime. A perícia apontou que o veículo tinha os freios e a câmera de ré em funcionamento e concluiu que o carro passou duas vezes sobre Andressa. A defesa sustenta que o atropelamento foi acidental e o acusado não teve intenção de matar.

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