Capital

Doenças crônicas já respondem por quase 60% das mortes prematuras

Plano aponta avanço de obesidade, alimentação inadequada e aumento de fatores de risco para os próximos anos

Por Kamila Alcântara | 24/09/2026 10:25
Doenças crônicas já respondem por quase 60% das mortes prematuras
Homem idoso chega para atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento Médico da Vila Almeida (Foto: Arquivo Campo Grande News)

Campo Grande tem nas doenças crônicas não transmissíveis o principal desafio de saúde pública para os próximos anos. O Plano de Enfrentamento das Doenças e Agravos Não Transmissíveis 2026-2029, publicado pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) no Diogrande desta quinta-feira (24), mostra que enfermidades como problemas cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes foram responsáveis por mais da metade das mortes de pessoas entre 30 e 69 anos na Capital ao longo da última década. 

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O documento aponta que, entre 2016 e 2025, as doenças crônicas responderam por uma parcela entre 51% e 63% dos óbitos prematuros registrados no município, com exceção de 2021, quando a pandemia de covid-19 alterou o cenário de mortalidade. Em 2025, quase 60% das mortes na faixa etária de 30 a 69 anos tiveram relação com essas doenças. 

Levantamento divide as causas em quatro grandes grupos: doenças cardiovasculares, neoplasias (câncer), doenças respiratórias crônicas e diabetes. Entre elas, os problemas do aparelho circulatório aparecem como os principais responsáveis pelas mortes prematuras em Campo Grande, seguidos pelos tumores. 

Dentro das doenças cardiovasculares, o infarto agudo do miocárdio lidera como causa de morte em todos os anos analisados. Em 2025, o infarto representou 43,5% dos óbitos cardiovasculares, enquanto os AVCs (acidentes vasculares encefálicos) responderam por 21%. Juntos, os dois problemas concentraram mais de 64% das mortes desse grupo. 

No caso dos cânceres, o documento aponta mudanças no perfil das mortes. O câncer de mama permaneceu como o principal tipo de tumor entre os óbitos prematuros em 2025, representando 10% das mortes por neoplasias. Na sequência apareceu o câncer de cólon, com 9,5%, enquanto o câncer de brônquios e pulmões respondeu por 8%. 

Já entre as doenças respiratórias crônicas, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica foi responsável por quase 60% dos óbitos do grupo em 2025. Segundo a própria análise da Sesau, o tabagismo aparece como um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença. 

Peso e alimentação - O plano também apresenta dados sobre fatores de risco que podem influenciar o avanço das doenças crônicas. Entre os indicadores analisados pelo Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde, Campo Grande registrou aumento do excesso de peso e da obesidade entre adultos nos últimos anos. 

Em 2023, a Capital atingiu o maior percentual da série histórica de excesso de peso entre adultos, tanto entre homens quanto entre mulheres. O município ficou entre as capitais com maiores índices de obesidade, com destaque para a população masculina, que apresentou o segundo maior percentual entre as capitais brasileiras naquele ano. 

Outro ponto destacado foi a alimentação. O consumo recomendado de frutas e hortaliças, considerado pelo Vigitel como cinco ou mais porções diárias desses alimentos, teve em 2023 o pior resultado da série histórica analisada em Campo Grande. 

O consumo de ultraprocessados também foi acompanhado. Em 2023, 16,5% dos adultos entrevistados relataram consumo de cinco ou mais grupos desses alimentos no dia anterior à pesquisa.

Homens concentram maior exposição - O levantamento aponta diferenças entre homens e mulheres em alguns fatores associados às doenças crônicas. A população masculina apresentou maiores índices de excesso de peso, consumo abusivo de álcool e tabagismo.

Em relação ao álcool, 30,2% dos homens entrevistados pelo Vigitel em 2023 relataram consumo abusivo nos 30 dias anteriores à pesquisa. O índice colocou Campo Grande entre as capitais com maior frequência desse comportamento entre homens. 

O plano também chama atenção para a possibilidade de subdiagnóstico entre homens, já que a menor procura por atendimento preventivo pode fazer com que doenças sejam descobertas apenas quando já existem complicações. 

Suicídios também entram no plano - Além das doenças, o documento inclui os chamados agravos não transmissíveis, como acidentes de trânsito, violências e lesões autoprovocadas.

Segundo a Sesau, as causas externas representam a quarta principal causa de morte em Campo Grande. Em 2024, acidentes de transporte, lesões autoprovocadas intencionalmente e agressões representaram 63,1% desses óbitos. 

O plano destaca especialmente o aumento das mortes por lesões autoprovocadas intencionalmente. Conforme o levantamento, houve crescimento superior a 120% no período analisado, indicando a necessidade de ampliar estratégias de prevenção ao suicídio. 

Redução de mortes até 2029 - Para enfrentar o cenário, a Sesau estabeleceu como meta reduzir em 1% ao ano a taxa de mortalidade prematura pelas quatro principais doenças crônicas entre 2026 e 2029.

O plano será dividido em três eixos: vigilância e monitoramento das doenças e fatores de risco; promoção da saúde e prevenção; e cuidado integral aos pacientes com doenças crônicas. Entre as ações previstas estão produção de boletins epidemiológicos, capacitação de profissionais, acompanhamento de casos de câncer, monitoramento de violências e ações relacionadas aos acidentes de trânsito. 

A estratégia pretende manter o acompanhamento de indicadores como tabagismo, consumo de álcool, alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, diabetes e hipertensão, com foco na redução das mortes consideradas evitáveis.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

Veja Mais