Dívida de R$ 40 milhões pode interromper mais serviços da Santa Casa
Cerca de 300 médicos tiveram último pagamento em maio, segundo o Sinmed

Devendo cerca de R$ 40 milhões aos médicos de diversas especialidades desde junho, a Santa Casa de Campo Grande corre o risco real de parar outros serviços além dos que já foram informados. O maior medo é que os profissionais que atuam na ortopedia encerrem as atividades, segundo o presidente do Sinmed (Sindicato dos Médicos), Marcelo Santana.
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A Santa Casa de Campo Grande deve cerca de R$ 40 milhões a aproximadamente 300 médicos, sem pagamento desde junho, e pode paralisar outros serviços, segundo o presidente do Sinmed, Marcelo Santana. O maior temor é a interrupção da ortopedia, que atende vítimas de acidentes de trânsito. Desde sexta-feira, o hospital atende apenas urgências e emergências, por falta de insumos e recursos. A direção afirma que a proposta de repasse de R$ 37,4 milhões foi insuficiente.
O sindicalista afirma que existe, sim, o risco de mais atendimentos e especialidades encerrarem no hospital que passa pela crise mais grave de sua história. Ontem, o superintendente da unidade, Luiz Alberto Kanamura, informou em coletiva de imprensa que a partir desta sexta-feira, o hospital passa a atender apenas urgências e emergências.
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“O último pagamento desses médicos foi em maio e são cerca de 300 profissionais”, disse Santana. Para ele, a Santa Casa está à beira do colapso e existe a tendência de mais especialidades pararem de atender, além da cirurgia pediátrica e dos anestesistas. Estes ainda atuam no hospital por meio de determinação judicial.
“A Santa Casa é referência em alta complexidade e todos esses profissionais que estão sem receber fazem as cirurgias de coração, de tórax, são os neurologistas, áreas em que o hospital é referência”, comenta o sindicalista.
Nitidamente alarmado, o médico disse ao Campo Grande News que a maior preocupação é o serviço de ortopedia, que atende centenas de pessoas acidentadas no trânsito todos os meses. “A gente não pode deixar a Santa Casa parar”, clama.
Ele reforça ainda que o movimento populacional de Campo Grande e do restante do Estado deve aumentar quando a ponte da Rota Bioceânica entre o Paraguai e o Brasil, em Porto Murtinho, passar a funcionar efetivamente.
“Nesse cenário, ao invés de a gente aumentar leitos e ofertar mais serviços, estamos deixando de ofertar leitos. Não podemos perder a Santa Casa”, afirma.
Caos - Ontem de manhã, a Santa Casa de Campo Grande anunciou que passará a atender apenas casos de urgência e emergência a partir de hoje. Os demais pacientes poderão ser encaminhados para outras unidades de saúde. A medida ocorre devido à falta de materiais, insumos e recursos financeiros para manter os serviços.
Segundo a diretora técnica, Patrícia Berg, o hospital recebe cerca de 110 pessoas por dia, mas apenas 20% a 25% dos casos são classificados como urgentes. Com a restrição, a maioria dessa demanda poderá ser direcionada para outros hospitais da rede.
A decisão ocorre em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição, que relata falta de materiais médicos, órteses, próteses e outros insumos necessários aos procedimentos. Segundo a direção, a última proposta de repasse apresentada ao hospital, no valor de R$ 37.418.741,66, não foi suficiente para atender às necessidades da unidade.
A direção calcula esse valor com base no contrato, mantido em R$ 32,5 milhões mensais. A receita total da Santa Casa via SUS (Sistema Único de Saúde), entretanto, é de R$ 35 milhões.
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