Capital

Desespero de gestante é flagrado por socorristas que evitam tragédia

Equipe do Samu viu a mulher em situação de rua à beira do córrego; bombeiros foram chamados para auxílio

Por Lucia Morel e Bruna Melo | 20/09/2026 11:20


Por volta das 8h30 deste domingo uma mulher negra, vestida com macacão rosa, coberta com cicatrizes de violência pelo corpo e com um coração tatuado na mão esquerda, gritava à beira da ponte, às margens do Córrego Segredo, no cruzamento da Barão do Rio Branco com Avenida Ernesto Geisel. Gestante e em situação de rua, ameaçava se jogar dali, ação impedida por intervenção de socorristas.

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O gesto desesperado foi impedido por acaso. Socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) passavam no local, conduzindo paciente para atendimento em unidade de saúde quando viram a mulher na ponte.

A reportagem também passava na avenida, a caminho de outra ocorrência e flagrou a sequência, que durou cerca de 40 minutos.

Desespero de gestante é flagrado por socorristas que evitam tragédia
Socorrista do Samu conversando com a mulher. (Foto: Juliano Almeida)

O que eles conversavam não pôde ser ouvido pela reportagem, mas ela se acalmou. Devagar e pacientemente, os dois caminharam de volta ao abrigo dela, próximo ao antigo terminal rodoviário.

Ao falar com o Campo Grande News, o profissional de saúde contou um pouco sobre a situação, dizendo que entre os pedidos feitos à gestante, houve o de que ela prometesse que não tentaria mais desistir da vida e pensasse que a que ela carrega no ventre pode ser a chave para um futuro melhor.

Pouco depois, uma equipe do Corpo de Bombeiros chegou ao local para levá-la, já que a equipe do Samu estava com paciente na viatura. A gritaria recomeçou e tentativa de se livrar do socorro também. A gestação parece ser de poucos meses e nem mesmo os militares souberam precisar, até porque o foco era resgatá-la e levá-la a um atendimento adequado.

Socorrista acompanha a grávida até abrigo próximo. (Foto: Juliano Almeida)

A mulher precisou ser pega no colo por 4 bombeiros enquanto se debatia e, entre chutes, tentava sair. Eles a colocaram numa maca, se posicionaram em cima dela e a amarraram. A mãe sem nome continuava se debatendo e gritando, mas agora, sem poder fugir.

O atendimento deles encerrou-se ao transportá-la até a UPA, e lá, não se sabe como vai continuar. Ainda assim, neste domingo, ao menos hoje, a esperança mostrou que está viva.

Mulher teve que ser amarrada para ser transportada (Foto: Juliano Almeida)


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Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.

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