Capital

Demora no alvará causa fechamento precoce, dizem empresários da noite na Capital

Setor pede flexibilização de regras ambientais para funcionamento de bares e restaurantes

Por Clara Farias e Geniffer Valeriano | 03/12/2025 13:15
Demora no alvará causa fechamento precoce, dizem empresários da noite na Capital
Matheus Pirolo - Gerente da Vigilância Sanitária Estadual (Foto: Henrique Kawaminami) .

Há pelo menos cinco anos, o proprietário de um espaço de eventos tenta emitir o alvará de licença ambiental para o estabelecimento. Nesse tempo, diz que já gastou cerca de R$ 100 mil em engenheiros, reformas e adequações. Mesmo assim, segue impedido de operar plenamente. A situação foi relatada em uma audiência pública sobre a vida noturna Capital, realizada pela Câmara Municipal, nesta quarta-feira (3).

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A audiência reuniu pouca gente, mas participaram representantes de órgãos fiscalizadores e empreendedores, que pedem a desburocratização e segurança jurídica. Segundo eles, a emissão do alvará ambiental é um dos maiores entraves para o funcionamento de bares e casas de show, gerando prejuízos e fechamento precoce de negócios.

Para o vereador Jean Ferreira (PT), a vida noturna da cidade "foi deixada de lado por muito tempo pelo poder público", e ele defendeu a revisão da legislação, como a Lei do Silêncio e as regras de ocupação do solo. "Quando intitulamos de Legaliza o Rolê, é porque muitas vezes o poder público criminaliza um setor vital. A vida noturna não é só economia, é cultura, lazer e direito à cidade", disse.

Ele afirmou que empresários enfrentam um tempo médio de vida de apenas três anos com seus empreendimentos. Segundo Jean, a reclamação sobre a demora no licenciamento ambiental é recorrente. “É uma demanda antiga. Todos os empreendedores têm dificuldade e acabam procurando a Câmara. Estamos pensando em formas de sistematizar e flexibilizar esses processos", explicou.

Empresário Lucas Roscoe durante audiência pública (Foto: Henrique Kawaminami)

Um dos casos apresentados durante a audiência foi de Lucas Roscoe, proprietário da Estância das Flores, que tenta há cinco anos obter o alvará ambiental. Segundo ele, apesar de ter regularizado todos os outros documentos, foi impedido de operar. “Chegaram a fechar um evento, me multaram e impediram a operação por meses. Fui tratado como criminoso. Já gastei perto de R$ 100 mil só com engenheiro e adequações. O processo não anda", disse.

A demora o obriga a funcionar apenas como bar, até meia-noite, o que, segundo ele, compromete a viabilidade do negócio. “O espaço foi projetado para eventos. Operar como bar não paga as contas. Fico vulnerável porque qualquer interpretação pode levar a um novo fechamento”, finalizou.

O produtor de eventos e empresário Thallyson Perez, que também integra o ABC (Aglomeração dos Blocos de Carnaval), reforçou que a burocracia impede a realização de eventos de diferentes portes. “Não temos processo claro e unificado. As exigências mudam de secretaria para secretaria e ficamos andando de porta em porta. Muitas vezes só sabemos se o evento vai acontecer horas antes", detalhou.

Para ele, o problema poderia ser resolvido com a implementação da Lei Fácil de Eventos, que já foi aprovada, e a diferenciação entre os tipos de eventos, com procedimentos mais simples para atividades menores. "É o que acontece em outros municípios. Um protocolo técnico de ruído, com regras claras, já ajudaria muito", disse ele. 

Cadeiras ficaram quase vazias dutante a discussão na manhã de hoje

Outro empresário que relata ter sido afetado após um embargo no mesmo tipo de licenciamento foi o empresário Bruno William Rodrigues, que afirma ter fechado uma casa de shows em 2023. “Tive prejuízo de mais de R$ 200 mil. A lei precisa valer para todos. Hoje, muitos bares da 14 funcionam com dispensa ambiental, mas sem cumprir normas como isolamento acústico. Isso gera concorrência desleal", afirmou Bruno.

O representante da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Matheus Pirolo, levou outro ponto ao debate: a falta de fiscalização sobre uso de narguilé e cigarros eletrônicos em bares, proibidos por lei. Segundo ele, trabalhadores expostos diariamente à fumaça saborizada são os mais prejudicados. “Para o fumante passivo assíduo, o risco é três vezes maior que o do fumante ativo. Queremos colaboração do setor, antes da fiscalização rígida", disse Matheus.

Apesar do assunto mobilizar o setor, poucos empresários compareceram. "Muitos já desistiram desse ramo", justifica Jean.

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