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Delegado ficou “muito surpreso” com ordem de prisão, alega advogado

Segundo a defesa de Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, saída de casa minutos antes foi "pura coincidência"

Por Clara Farias e Maurício Aguiar | 24/09/2026 17:34
Delegado ficou “muito surpreso” com ordem de prisão, alega advogado
Delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa durante coletiva de imprensa sobre apreensão de cocaína em agosto do ano passado (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

“Está muito surpreso”. Segundo o advogado Amilton Ferreira de Almeida, essa é a reação do delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa após ser alvo da Operação Infiltrados, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). O policial se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil nesta tarde, depois de não ser encontrado em casa durante o cumprimento do mandado de prisão.

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De acordo com o defensor, Hoffman ainda não sabe quais acusações são atribuídas a ele porque a investigação tramita sob sigilo e a defesa não teve acesso aos autos. "Não está entendendo nada do que aconteceu”, afirmou Amilton. Segundo ele, a expectativa é que o conteúdo da investigação seja disponibilizado na próxima semana.

O advogado também voltou a negar que Hoffman soubesse antecipadamente da operação. Pela manhã, equipes do Gaeco foram até a casa do delegado, no Carandá Bosque, mas não o encontraram. Amilton afirmou que o policial havia dormido na residência e saiu por volta das 5h, antes da chegada dos investigadores.

“Não vazou informação nenhuma. Policiais nenhum avisou ele. Foi uma pura coincidência ter saído cedo”, disse. Questionado sobre o fato de Hoffman ter deixado o imóvel pouco antes da chegada das equipes, o defensor afirmou que as câmeras de segurança poderão mostrar a movimentação. “Eles têm o DVR das câmeras, vai ver que ele saiu de casa e o jeito que ele saiu”, declarou.

Amilton reforçou que a saída não teve relação com a operação. “Não é por conta da operação, é que ele não sabia, entendeu? Foi uma coincidência ele ter saído”, afirmou. O advogado também disse que não sabe para onde Hoffman será encaminhado após a apresentação na Corregedoria.

Com o acesso aos autos, a defesa pretende pedir a revogação da prisão ao juiz responsável pelo caso. “Vou entrar e pedir reclamação de prisão para o próprio juiz, explicar que ele tem as condições de responder esse processo em liberdade”, afirmou.

A Operação Infiltrados investiga um suposto esquema envolvendo agentes de segurança pública e traficantes para o desvio de drogas apreendidas, principalmente cocaína. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.  

Agente do Gaeco durante cumprimento de mandado na casa do delegado na Carandá Bosque (Foto: Osmar Veiga)

Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a investigação começou em outubro de 2025, a partir de provas e desdobramentos das operações Traquetos e Blindspot. Entre os alvos estão policiais civis, policiais militares, um policial penal e um ex-policial civil. 

A suspeita é de que integrantes do grupo tenham usado o acesso proporcionado pelos cargos públicos para retirar entorpecentes apreendidos em operações policiais e recolocá-los no mercado ilegal. Como a investigação tramita sob sigilo, a defesa afirma que ainda aguarda acesso ao conteúdo dos autos para conhecer as acusações feitas contra Hoffman.

Até o momento, foram confirmadas as prisões de Nelson Ricardo Barros de Oliveira, de 40 anos; Douglas Tobias, de 45 anos; Neverson Vieira de Araújo, de 44 anos; Luiz Carlos de Souza, de 37 anos; Nilton César Sales dos Santos, de 55 anos, Wesley Benites; e o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, de 39 anos, conhecido como “Paraíba”.

Também foram presos o policial militar Alison Lemes Bezerra, o policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos, que já estava preso, além de Valdenice da Silva Goes, mãe de Lucas da Silva dos Santos, o "LK", e Ana Carolina da Silva dos Santos, irmã de "LK". 

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