Capital

Delegado entrou em investigação por falha de comunicação, diz advogado

Guilherme Scucuglia Cezar foi alvo de busca e apreensão durante a 2ª fase da Operação Infiltrados

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques | 06/11/2026 09:45
Delegado entrou em investigação por falha de comunicação, diz advogado
Delegado Guilherme Scucuglia foi alvo de busca e apreensão (Foto: Arquivo | Campo Grande News)

Em coletiva de imprensa, a defesa do delegado Guilherme Scucuglia Cezar afirmou que não há provas que o vinculem a desvios de conduta investigados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). O servidor foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a 2ª fase da Operação Infiltrados, que investiga extravio de drogas de delegacias.

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Segundo o advogado José Roberto da Rosa, a citação ao nome do servidor decorre de uma interpretação equivocada de conversas entre terceiros e de um desencontro de informações entre as instituições.

"O delegado Guilherme foi encaminhado para Dourados na época para investigar supostos desvios de conduta. Ele foi encaminhado para lá através da cúpula para que pudesse trazer informações sobre o que lá ocorria", afirmou o advogado. 

Durante a coletiva, o advogado afirmou que a menção ao policial ocorreu em razão de falhas de comunicação: "Esse desencontro entre as instituições, entre essa coisa de não se trocar informações, acabou fazendo com que um delegado correto, de comportamento idôneo, fosse colocado nessa linha de investigação", disse Rosa. 

A defesa ainda explicou que a citação ao delegado restringiu-se a um diálogo entre suspeitos. "Seriam traficantes que estariam conversando e falando que teriam um 'delegado cabeludinho' dentro da delegacia. Essa menção não tem outra coisa", destacou José, pontuando que o caso se tratou de "lugar errado, hora errada".

Ao analisar o caso, o Poder Judiciário indeferiu o pedido de prisão preventiva e autorizou apenas mandados de busca e apreensão. As ordens foram cumpridas na residência e nos locais de trabalho do servidor. 

"Nenhum evento foi arrecadado, nada de interesse para a investigação. Então, em relação ao doutor Guilherme, me parece que as coisas estão alinhadas e não há qualquer traço de malfeito praticado por ele", ressaltou o advogado, sustentando que "não há mais nenhuma prova, não tem movimento bancário, nenhuma ligação dele, nenhum despacho dado por ele, nada".

Após atuar na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira) , o delegado permaneceu à disposição da Diretoria de Polícia do Interior, em Campo Grande, e está atualmente lotado na Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos). A defesa reiterou a expectativa de que o procedimento seja arquivado em relação ao policial.

Infiltrados II - Deflagrada na quinta-feira (5), a segunda fase da operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e mais 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR). 

A investigação do Gaeco aponta que policiais desviavam drogas durante apreensões, retiravam cargas do depósito da delegacia ou subtraíam parte do material destinado à incineração. Em setembro de 2025, mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser destruídos teriam retornado ao tráfico. Os fatos investigados ocorreram entre junho de 2025 e maio de 2026

Nove policiais civis que estavam lotados na Defron durante o período investigado são alvos de medidas judiciais. O Ministério Público não detalhou a participação atribuída individualmente a cada um deles.

Em maio, quando foram reveladas as transferências na Defron, Guilherme afirmou desconhecer a investigação e disse que as mudanças no quadro de servidores eram ajustes relacionados à chegada de novos policiais aprovados em concurso.

Além de Guilherme, também foram alvos da operação os investigadores Rodrigo Carpes da Silva, Anderson Mirandola, Cassiano Rodrigues Teixeira, Eumer Cordeiro Barbosa, Rogério da Rocha Ferreira e Oseias Medeiros da Silva e os escrivães Gustavo dos Santos Sayão e João Marcos Garcia.

A operação desta quinta-feira contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Gaeco do Paraná.

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