Capital

Defesa de Tio Arantes contesta parentesco com foragido e ligação com crimes

Investigações de 2018 indicavam que ele é tio de um dos fugitivos

Por Ângela Kempfer | 23/07/2026 12:20
Defesa de Tio Arantes contesta parentesco com foragido e ligação com crimes
Ítalo de Moraes, recapturado na manhã desta quarta-feira (Foto: Direto das Ruas)

A defesa de José Cláudio Arantes, conhecido como “Tio Arantes”, contestou as informações que o apresentam como tio de Ítalo de Moraes, de 27 anos, recapturado após ser retirado do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande.

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Em nota assinada pelo advogado Wellington Thiago Sippel da Silva, a defesa afirma que José Cláudio não tem relação com Ítalo e também rejeita associações dele com explosões de caixas eletrônicos, associação criminosa e liderança de organização criminosa.

A informação de que Ítalo seria sobrinho de “Tio Arantes”, no entanto, teve como origem uma investigação do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), realizada após o furto de R$ 118 mil de caixas eletrônicos de uma agência do Banco do Brasil instalada no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em setembro de 2017.

Segundo os dados da investigação policial à época, Ítalo seria casado com uma sobrinha de José Cláudio e, por isso, era considerado integrante da família e tratado como sobrinho de “Tio Arantes”. 

Um ano após o furto, Ítalo, então com 19 anos, foi preso na região norte de Campo Grande. Na ocasião, o Garras também apontava José Cláudio como líder do grupo investigado pelo crime contra os caixas eletrônicos.

A defesa afirma que Tio Arantes foi posteriormente absolvido no processo por falta de provas. “José Cláudio Arantes não possui a relação de parentesco divulgada nas matérias, não podendo ser associado aos fatos atribuídos às pessoas mencionadas nas reportagens”, diz trecho da defesa.

A contestação foi apresentada depois de reportagens sobre a recaptura de Ítalo, encontrado em uma casa de festas no Jardim Colúmbia, na manhã de quarta-feira (22). Ele havia sido retirado da Gameleira dois dias antes, durante uma ação que resultou na fuga de detentos.

Tio Arantes quando foi recapturado na Bolivia em 2023

Quem é Tio Arantes?

O nome de José Cláudio Arantes, o "Tio Arantes", voltou aos corredores da segurança pública de Mato Grosso do Sul nesta semana. A recente fuga e recaptura de Ítalo de Moraes, no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, reacendeu o interesse sobre a biografia daquele que é considerado um dos fundadores e principais lideranças históricas do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. Com uma ficha criminal que atravessa décadas, de assalto a assassinato, Arantes tem também no histórico uma fuga da Gameleira.

A notoriedade de Tio Arantes no topo da hierarquia do crime organizado consolidou-se em maio de 2006. Em meio a uma onda de ataques coordenados pela facção em todo o país, Arantes liderou o motim mais violento da história do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima de Campo Grande.

Em novembro de 2021, mesmo sob forte vigilância, o criminoso aproveitou as falhas do regime semiaberto para escalar a cerca do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira e desaparecer. A fuga mobilizou forças de segurança estaduais e federais em uma caçada que durou quase dois anos.

O paradeiro de Arantes só foi descoberto em setembro de 2023, na Bolívia. Monitorado pela Interpol, ele foi surpreendido por policiais bolivianos na cidade de Santa Cruz de la Sierra e imediatamente extraditado de volta ao Brasil.

Cientes do risco de mantê-lo em solo sul-mato-grossense, as autoridades transferiram Tio Arantes para o Sistema Penitenciário Federal. Após uma passagem pela unidade de Campo Grande, ele foi realocado para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima em Brasília.

Em outubro de 2025, o Poder Judiciário prorrogou sua permanência no regime de segurança máxima por mais 24 meses. Os relatórios de inteligência foram taxativos: o retorno de José Cláudio Arantes ao sistema penitenciário estadual "representa uma ameaça direta à ordem pública, devido ao seu poder de comando e à sua capacidade de desestabilizar as unidades prisionais de Mato Grosso do Sul". 

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