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Córrego Vendas tem água barrenta e sinais de despejo de cimento

Trecho já é alvo do Ministério Público após o órgão identificar risco de assoreamento

Por Gustavo Bonotto | 09/10/2025 21:57
Córrego Vendas tem água barrenta e sinais de despejo de cimento
Trecho do córrego Vendas apresenta água enbranquiçada. (Foto: Direto das Ruas)

Alvo de inquérito civil por risco de assoreamento, o córrego situado na Rua Nelson Figueiredo Júnior, região do bairro Antônio Vendas, em Campo Grande, apresenta baixo volume de água e marcas brancas que indicam possível despejo de cimento, segundo imagens enviadas por moradores ao Campo Grande News nesta quarta-feira (9).

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As fotos, recebidas pelo canal Direto das Ruas, também mostram uma montanha de areia marrom junto à água, que fica barrenta, aumentando o risco de futuros alagamentos em caso de chuva forte.

Há um mês, o MP (Ministério Público) abriu inquérito com objetivo de firmar TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com os responsáveis pela obra. No texto, a Fibra Construtora Ltda. é apontada como responsável pelo empreendimento imobiliário que resultou em grandes movimentações de terra e aterros acima do nível da rua.

Montanha de terra que pode causar alagamentos, segundo o MP, permanece intacto. (Foto: Direto das Ruas)

Já a Borges Maciel Pinheiro Engenharia Ltda. aparece vinculada a etapas específicas da execução de serviços de engenharia, sem ser proprietária do conjunto habitacional, mas igualmente sujeita às obrigações ambientais e urbanísticas.

A Prefeitura de Campo Grande também é citada como corresponsável. O MP cobrou das Secretarias de Infraestrutura e de Meio Ambiente relatórios sobre a fiscalização da obra, além da adoção de medidas emergenciais para conter os danos. A promotoria lembra que, mesmo em empreendimentos privados, cabe ao município licenciar, monitorar e exigir ações corretivas, como manutenção de canais de drenagem e fiscalização contínua das movimentações de terra.

O procedimento reúne laudos, despachos e visitas realizadas entre novembro de 2024 e abril de 2025. Os técnicos apontam que a situação exige acompanhamento constante para evitar novos danos.

Ponto onde o córrego volta a ser visto a céu aberto. (Foto: Henrique Kawaminami)

Em março, o engenheiro responsável pela obra, Mateus Veronezi, rebateu a acusação feita por moradores. Ele explica que dentro do terreno, onde será construído um clube esportivo, passa uma bacia de drenagem, que não está conseguindo drenar a água adequadamente, e que ocorreu uma erosão.

“Em 2008, a prefeitura fez uma obra para canalizar o córrego dentro da área de preservação. A água deveria ficar represada e ir escoando aos poucos pela tubulação, mas, por conta da erosão das árvores que caíram, além da terra e das pedras, o tubo ficou muito obstruído. Isso aqui deveria ser uma bacia de retenção de água, mas a barreira de contenção cedeu. Então, aqui foi criado um canal que faz a água descer com toda a força para a rua”, afirma.

Ainda de acordo com ele, já foi enviado um ofício à Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) solicitando a revitalização, e agora estão tentando autorização para que a própria empresa execute essa obra.

Obra movimenta muita terra na região, o que pode causar danos ambientais. (Foto: Henrique Kawaminami)

À época dos fatos, o secretário municipal de Obras, Marcelo Miglioli, informou que já está ciente da situação e que irá apurar as responsabilidades. “Já estou a par do problema. Temos conhecimento de que isso ocorreu após o início de uma obra particular. Vamos ao local para apurar as responsabilidades; não vamos fazer juízo de valor antecipado. Farei um pronunciamento depois que formos à obra, verificarmos o que precisa ser feito e quais são as responsabilidades de cada um”, pontuou.

O Campo Grande News entrou novamente em contato com a Prefeitura de Campo Grande e as duas empresas citadas, mas não obteve resposta dentro do prazo estipulado de uma hora para a publicação do texto. Todos os citados foram questionados sobre as imagens apresentadas na reportagem e sobre o inquérito do MP.

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