Contra insegurança alimentar, quintal com horta e bananeira "reforça" o prato
Do portão para dentro, Eva mostra a fartura que brota da terra na Comunidade Esperança

Contra o risco de insegurança alimentar que ronda 13.817 domicílios em Mato Grosso do Sul, Eva Arruda, de 79 anos, cultiva um quintal que tem de couve a banana na pequena Comunidade Esperança, erguida ao lado do terreno onde já esteve a gigante favela Cidade de Deus.
RESUMO
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Em Mato Grosso do Sul, 13.817 domicílios (2,1% dos 667.045 triados) estão em risco de insegurança alimentar, índice inferior ao do Brasil (6,6%) e ao do Centro-Oeste (3%), segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Na Comunidade Esperança, em Campo Grande, a aposentada Eva Arruda, de 79 anos, cultiva um quintal, e moradores como Daniele da Silva dependem de doações e do Bolsa Família. A pasta também lançou painel para monitorar o consumo alimentar e o estado nutricional da população.
A vila fica em Campo Grande, na saída para Sidrolândia, com acesso pela BR-262, no Bairro Dom Antônio Barbosa, e reúne 63 famílias. A comida no prato vem do trabalho, doações e Bolsa Família, programa de transferência de renda do governo federal.
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Na manhã desta terça-feira (dia 30), a reportagem encontrou Eva capinando em frente de casa. Ela lamenta que, perto dos 80 anos, já não consiga trabalhar como antes. Do portão para dentro, mostra a fartura que brota da terra.
Uma geladeira antiga virou canteiro de horta. Por lá, já passaram as mudas de cebola. Agora, renova a terra para um novo cultivo. Ao lado, outro canteiro exibe couves que, em breve, terão companhia de alfaces. O quintal ainda tem pé de limão, pé de manga, mandioca, bananeira, duas galinhas e um galo.
“Enquanto Deus for me dando força, vou fazendo devagarzinho, ontem já carpi um pouco. Não tenho mais aquela força de fazer tudo. Mas eu quero morrer trabalhando”.
A renda de Eva vem da aposentadoria por invalidez e pensão. Mas os gastos, principalmente com medicamentos, corroem o orçamento. Ela conta que a cada dois meses recebe um sacolão de um projeto social. “A gente vai controlando porque senão não dá. É um pouco para o remédio, para a comida”.
Daniele da Silva, de 30 anos, mora na comunidade há quatro anos e conta com ajuda de doações, além de R$ 850 do Bolsa Família, para colocar a comida no prato.
“Tem pessoas que atendem a nossa comunidade com doações. A gente faz a correria também. Tem gente que critica o Bolsa Família. Fala: ah, pega benefício, mas mora numa comunidade sem pagar água e sem pagar luz. Sim, realmente, só que a gente tem as outras necessidades, como remédio. Eu tenho o meu pai que faz hemodiálise e sempre tô comprando medicamentos”.
As doações vêm por meio de um projeto, ligado a grupo católico. “Eles me ajudam com alimentos, com leite, bolacha. Toda semana traz verdura. O Cras [Centro de Referência de Assistência Social] também dá cesta básica”, diz Daniele.
Levantamento - Conforme dados da TRIA (Triagem para Risco de Insegurança Alimentar), divulgados na sexta-feira (dia 16) pela SES (Secretaria Estadual de Saúde), Mato Grosso do Sul apresenta percentual de risco de insegurança alimentar inferior às médias nacional e regional. A data lembra o Dia Mundial da Alimentação.
Dos 667.045 domicílios sul-mato-grossenses que passaram pela triagem, 13.817 (2,1%) foram identificados em risco de insegurança alimentar. No Brasil, o percentual foi de 6,6%, enquanto na Região Centro-Oeste chegou a 3%.
A triagem é composta por duas perguntas simples referentes aos últimos três meses. A primeira é: “Nos últimos três meses, os alimentos acabaram antes que você tivesse dinheiro para comprar mais comida?”. Já a segunda questiona: “Nos últimos três meses, você comeu apenas alguns alimentos que ainda tinha, porque o dinheiro acabou?”
Segundo a Nota Técnica nº 51/2024, um domicílio é considerado em risco para insegurança alimentar caso pelo menos um membro da família, com 18 anos ou mais, responda “sim” para as duas perguntas.
O Painel Alimentação e Nutrição permitirá aos gestores acompanhar a cobertura do Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) nos municípios e analisar informações sobre consumo alimentar e estado nutricional da população em todas as fases da vida.
“Com a ferramenta, os gestores poderão acompanhar a cobertura do Sisvan e monitorar a situação alimentar e nutricional da população nos territórios, associando os dados de estado nutricional com os de consumo alimentar, para todas as fases do curso de vida. Com base nisso, poderão aprimorar processos de trabalho e planejar ações mais eficazes para a promoção da alimentação adequada e saudável para a população sul-mato-grossense”, afirma o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach.
O painel foi desenvolvido pela equipe de Tecnologia da Informação da SES, em parceria com a área de Alimentação e Nutrição, para reunir indicadores que apoiem as gestões estadual e municipais. A ferramenta utiliza dados de acompanhamentos realizados ao longo do tempo e informações populacionais do último Censo do IBGE, permitindo observar o perfil nutricional e as características do consumo alimentar em cada município.
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